O campeão é o 16º: o Castor mostrou ao Canário como se controla um Dragão.

Numa altura em que se fala cada vez mais do mundo do futebol, mas cada vez menos do futebol em si, existe a necessidade de mostrar o porquê de este desporto fazer apaixonar milhões em todo o mundo. Numa altura em que os temas mais falados são a corrupção, os castigos, as transferências milionárias e a arbitragem, chega o momento de relembrar os apaixonados por este fenómeno que isso são apenas assuntos acessórios: a magia é aquilo que acontece dentro das quatro linhas, nas bancadas dos estádios e na conexão entre jogadores e adeptos.

José Sá, treinador adjunto de Pepa no comando técnico do Tondela, disse após a polémica derrota frente ao Sporting CP (com golo de Coates ao minuto 90+9) que em Portugal existem dois campeonatos diferentes dentro da primeira liga: um campeonato dos grandes e o campeonato dos outros. Olhando para os números, é difícil argumentar com o adjunto de 61 anos: finda a jornada 26, a distância do último classificado (Estoril, em 18º) para o 5º (Rio Ave) é de 19 pontos; já a distância do 5º para o 1º (FC Porto) são… 27!

Assim, neste espaço, a análise será feita na perspectiva contrária: com foco no jogo, passando o olhar sobre cada jornada da liga e, como o próprio nome indica, destacando a emocionante luta pela manutenção.

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Fonte: ligaportugal.pt

Na pedreira, os cónegos deram luta aos guerreiros, muito ao estilo de Petit, o aflito Moreirense não foi vender os três pontos barato e chegou muito atrevido, frente a um Sp. Braga que, apesar de estar no melhor momento da época, começou a meio gás, mesmo assim chegando com facilidade à baliza adversária, conseguindo o primeiro logo aos 14 minutos, por Wilson Eduardo; quase a fechar a primeira parte, o Moreirense ainda teve uma grande oportunidade para marcar, mas Zizo (que esteve muito perdulário) não conseguiu finalizar. Na segunda parte, os anfitriões saíram do balneário algo adormecidos, mas a sua qualidade ficou vincada rapidamente, precisando apenas de dois minutos para matar o jogo: novamente com Wilson Eduardo aos 64’ e Ricardo Horta aos 66’, ambos com assistência de Paulinho (que já merece a atenção de Fernando Santos). Com este resultado, o Braga mantinha a pressão no Sporting na luta pelo 3º lugar, já o Moreirense viria a substituir o Paços de Ferreira no 17º posto.

Na Mata Real, num jogo que se antecipava fácil para os líderes, o Paços de Ferreira recebeu o FC Porto, num verdadeiro encontro de David contra Golias. Os Castores são umas das equipas com o futebol mais pobre do campeonato e chegavam a este jogo no penúltimo lugar, com apenas 21 pontos, vindos de 5 derrotas nos últimos 5 jogos. Pela frente estava um FC Porto invicto em todas as competições nacionais há 34 jogos, líder isolado do campeonato e principal candidato ao título. No entanto, o passado recente dava esperança aos Pacenses: nas duas últimas deslocações à Capital do Móvel para a liga, os azuis e brancos tinham perdido por 1-0 em 2015/16 e empatado a zeros em 2016/17.

As condições eram adversas: muita chuva, vento forte e um relvado a fazer lembrar um jogo da sunday league em Inglaterra. Nas bancadas a tela era pintada de azul e de lá vinha o barulho de adeptos fervorosos, como se de um jogo no Dragão de tratasse.

Iniciada a partida, o Paços entrou a pressionar, dando, como seria de esperar, a iniciativa do jogo aos pupilos de Sérgio Conceição, mantendo-se sempre sólido defensivamente. Depois de uma primeira hora em que nenhuma das equipas conseguiu criar muito, ao minuto 35, Miguel Vieira gelou o universo portista: na sequência de um canto mal aliviado por Marcano, Filipe Ferreira encontrou o amarantino de 27 anos no centro da área que fez o golo para os Castores.

Após o golo sofrido, o Porto melhorou de rendimento, mas a chegada do intervalo significou que João Henrique pôde dar novas instruções aos seus comandados: defender, não ter pressas e aguentar o máximo tempo possível a bola fora do seu terço defensivo. Foi isso que os pacenses tentaram fazer na segunda parte, mas os homens da invicta entraram fortes e, ao minuto 67, numa jogada de insistência, Rui Correia derrubou Felipe na área do Paços e Bruno Paixão apontou para a marca dos 11 metros, dando esperança à formação azul e branca. No entanto, cara a cara com Mário Felgueiras, Brahimi permitiu a defesa do guardião e assim deu o ímpeto necessário ao adversário para aguentar o resultado até ao final, tendo ainda oportunidades para dilatar a vantagem, dando uma lição aos seus rivais do Estoril, também na luta pela manutenção, de como aguentar a vantagem frente ao Porto durante 45 minutos.

Assim, os Bravos Castores somaram, de forma esforçada e justa, mais 3 preciosos pontos, que podem ser decisivos na luta pela manutenção, fugindo aos lugares de descida. Já o Porto, vê os seus rivais diretos a aproximarem-se.

SL Benfica e Sporting CP cumpriram. Os encarnados receberam na Luz o Desportivo das Aves, que fez um bom trabalho durante 71 minutos a manter o marcador a zeros, mas na reta final a avalanche ofensiva de Jonas e companhia foi demais para os avenses, que acabaram por perder por duas bolas a zero, com dois golos em 4 minutos, pondo assim fim a uma sequência de 5 jogos sem perder, mas, ainda assim, parecem encaminhados para conseguir a manutenção, estando 3 pontos acima da linha de água. Já a turma de Alvalade deslocou-se ao terreno do Chaves, onde foram confrontados com uma equipa organizada e a jogar um bom futebol, que criou muitas dificuldades aos desfalcados verde e brancos, mas com a entrada de Bas Dost ficou difícil e viram mesmo o holandês marcar os dois golos da vitória sportinguista. Os transmontanos ainda conseguiram reduzir de grande penalidade aos 91 minutos, por intermédio de Platiny, mas já não foi suficiente. Com este resultado, o Sporting foi a única equipa a conseguir vencer fora de portas, nesta jornada, e vê anulada a diferença que tinha criado para o Porto na derrota no Dragão, mas continua a 3 pontos do segundo lugar que dá direito a bilhete para a liga milionária; por seu lado, o Chaves fica mais longe do 5º lugar (Rio Ave) e, consequentemente, mais longe de um possível lugar europeu.

Nos jogos das equipas do meio da tabela, o Portimonense venceu em casa o Vitória SC (2-1), com os vimaranense a verem-se assim ultrapassados pelos algarvios e Belenenses e Tondela continuam de mão dada na caminhada para a segurança dos clássicos 30 pontos que dão a segurança de uma provável manutenção (ambas com 29 pontos), ao empatarem a zeros no Restelo.

O lanterna vermelha, Estoril Praia, foi à cidade invicta defrontar o Boavista, sabendo que ia ser uma deslocação difícil. A equipa da linha conseguiu fazer frente aos axadrezados durante todo o jogo e, quando parecia que iam conseguir trazer para casa um importante ponto, Dankler tem uma entrada imprudente sobre Yusupha dentro da área e vê Vítor Ferreira assinalar grande penalidade, que foi irrepreensivelmente batida por David Simão. Os canarinhos ficam assim mais uma jornada na última posição e a oito jornadas do fim a despromoção já parece uma possibilidade bastante forte.

Os dois clubes imediatamente acima da linha de água conseguem mais uma jornada a respirar, mas a vida não está fácil. O Vitória de Setúbal saiu da Madeira com uma derrota por 4-2, num jogo que até foi equilibrado, mas onde as fragilidades defensivas dos sadinos ficaram bem patentes frente a um ataque do Marítimo que não perdoou. O Feirense foi até à Vila do Conde, onde ainda conseguiu assustar o Rio Ave entrando na partida a vencer, mas os vila-condenses mostraram o porquê de serem considerados uma das equipas a praticar melhor futebol em Portugal e deram a volta ao resultado, vencendo por 2-1 e deixando a equipa de Santa Maria da Feira à tona por muito pouco.

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Fonte: sofascore.com

Assim, o campeão da 26ª jornada é o Feirense. Apesar da derrota no Estádio dos Arcos, os fogaceiros conseguem assegurar o 16º posto e manter-se acima da linha de água por mais uma semana.

Até ao fim da 34ª jornada o campeonato promete não ficar menos emocionante, com luta em todos os sectores da tabela e muita felicidade para uns e lágrimas para outros, na certeza de que nenhuma equipa terá a vida facilitada.

Equipa da jornada: Paços de Ferreira.

Equipa desilusão: Vitória de Guimarães.

Jogador da jornada: Mário Felgueiras (Paços de Ferreira).

Jogador desilusão: Maurides (Belenenses).

Escrito por: Pedro Castro Alves

Editado por: Ricardo Marquês

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