A boa insónia

Aproxima-se o tão antecipado Mundial de Futebol, a realizar na Rússia, e com ele vêm também as tão esperadas convocatórias, uma tarefa árdua levada a cabo pelos “timoneiros” das seleções em causa. No caso português, o processo afigura-se difícil, mas num bom sentido. A competência e qualidade dos jogadores da elite portuguesa tirará, certamente, noites de sono ao selecionador português, Fernando Santos.

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O sempre pensativo Fernando Santos

No entanto, se tivermos em conta as anteriores convocatórias de Fernando Santos, podemos afirmar que o “croqui” da mesma é mais que evidente, já que o selecionador nacional se manteve fiel à equipa que se sagrou campeã no Campeonato Europeu de Futebol de 2016 (realizado em França, para quem não se recorda). Tal opção tornou-se evidente também na convocatória final para a Taça das Confederações, realizada também na Rússia, no ano transato.

Posto isto, pairam as perguntas, “Quem serão os eleitos?” e “Quem ficará de fora”, às quais esperamos fornecer a resposta correta. Sem mais demoras, aqui se segue, numa espécie de horóscopo futebolístico, a nossa convocatória fictícia dos 23 possíveis eleitos para levar as “quinas” ao peito no Mundial deste verão:

Guarda-Redes

Rui Patricio, Anthony Lopes e Bruno Varela

Começando pelo setor mais recuado do terreno, prevê-se que a titularidade irá recair em Rui Patrício, dono e senhor da baliza lusitana desde 2012. No entanto, Anthony Lopes tem se exibido de forma consistente no Lyon. Mesmo assim, Lopes não tem sido suficiente para retirar Rui Patrício da baliza portuguesa,  pelo que tem sido titular apenas em particulares, alguns até de má memória para os portugueses (entre eles uma infame derrota caseira frente a Cabo Verde, por 2-0). Quanto a Bruno Varela, escolhemo-lo em detrimento do veterano Eduardo, que tem carecido de utilização no Chelsea, muito por culpa da qualidade do belga Thibaut Courtois. O guarda-redes do Benfica, apesar de  ter tido um início de temporada atribulado na defesa das redes encarnadas, tudo indica que será “dono” do estatuto de 3º Guarda-Redes no próximo Campeonato Do Mundo.

Wildcard: Cláudio Ramos

Tem sido uma grande época para o Tondela, assegurando a manutenção na Primeira Divisão do futebol português, militando, até à data, o 9º lugar da tabela classificativa. Um dos reflexos dessa mesma época positiva tem sido o mesmo Cláudio Ramos. Dono e senhor da baliza da equipa nortenha, a sua presença na convocatória de Fernando Santos seria descabida apenas para os mais distraídos. Aguardemos pela decisão do selecionador.

 

Laterais Direitos

Cédric Soares e Nelson Semedo

A lateral direita tem-se revelado como uma das difíceis escolhas do nosso selecionador, muito pela qualidade dos seus candidatos. Apesar da aposta regular de Fernando Santos em Cédric Soares, a ascensão meteórica de Nelson Semedo e a transferência do mesmo para o FC Barcelona é uma séria ameaça à titularidade de Cédric Soares. No entanto, a lesão contraída por Nelson Semedo ao serviço do seu clube pode comprometer as suas esperanças de titularidade na Seleção Nacional. Ambos os jogadores oferecem garantias a Fernando Santos, sendo Cédric um lateral mais recuado, mais competente nas tarefas defensivas, ao invés de Nelson, que se assume mais como uma ala, capaz de cobrir o corredor inteiro, mantendo, no entanto, o bom critério defensivo.

Wildcards: Ricardo Pereira, João Cancelo e André Almeida

Após sucessivos empréstimos, Ricardo Pereira (posteriormente adaptado a lateral direito) tem realizado uma excelente época ao serviço do FC Porto, sob o comando de Sérgio Conceição, tendo sido apontado à convocatória de Fernando Santos para o Mundial. No entanto, uma lesão muscular contraída recentemente ao Serviço do FC Porto pode comprometer as suas chances de um lugar na convocatória.

Quanto a João Cancelo, após a sua transferência para o FC Internazionale, tem sido utilizado esporadicamente e quase sempre como suplente utilizado, no entanto, Fernando Santos é conhecedor e apreciador das suas qualidades, tendo feito parte das suas convocatórias por diversas vezes, tendo mesmo apontado golos ao serviço da Seleção Nacional.

Nada melhor do que calar os críticos com boas exibições. Tem sido isso mesmo que André Almeida tem feito ao longo desta temporada, cimentando o estatuto de titular indiscutível no Benfica de Rui Vitória, uma evolução notável levada a cabo pelo jogador português, muitas vezes conotado como o ” Patinho Feio” da equipa encarnada. Todo este trajeto coloca-o na lista de contenção para o Mundial de 2018.

Defesas Centrais

Pepe, José Fonte, Luís Neto e Rolando

Fernando Santos é conhecido pela sua boa organização defensiva e, para isso, tem contribuído também a qualidade dos centrais portugueses, competentes quer na defesa, quer na construção de jogo. Acredito que o nosso selecionador irá optar por manter a dupla Pepe-José Fonte (apesar da lesão de última hora do central luso-brasileiro) que lhe deu garantias no Euro 2016 e também na fase de qualificação para o Campeonato do Mundo. Apesar de José Fonte ter carecido de utilização após a sua transferência para o West Ham United (e também após a desastrosa estreia pelo Dalian Yifang, na Superliga Chinesa), juntamente com eles estarão Luis Neto e Rolando. Assim se completa o quarteto de Centrais à disposição de Fernando Santos.

Wildcard: Rúben Dias e Pedro Mendes

Tem sido uma época de afirmação para o jovem central português, que aproveitou a lesão de Luisão para assumir a titularidade na equipa de Rui Vitória. Rúben Dias tem assumido uma forte parceria com o brasileiro Jardel, que muitos prevêem que seja o futuro patrão da defesa do Benfica e também da seleção nacional, muito pela sua habilidade, mas também pelo carisma, determinação e capacidade de liderança. A sua inclusão na convocatória pode ser precoce, devido à sua tenra idade (20 anos), no entanto, revela-se como uma boa alternativa para Fernando Santos.

Pedro Mendes é já um conhecido do futebol português, formado nas escolas do Sporting, Pedro destacou-se pela sua consistência exibicional e talento, valendo-lhe uma transferência, por empréstimo, para o Real Madrid CF (na altura orientado pelo português José Mourinho), acabando por fazer apenas um jogo pela equipa principal. Desde aí passou pela Parma, Rennes e Montpellier, onde está a realizar uma grande época (Montpellier ocupa o 6º lugar da Ligue 1), sendo mesmo uma das defesas menos batidas da europa, com apenas 22 golos sofridos em 28 jogos. Resta saber se Fernando Santos irá equacionar o antigo internacional sub-21 na sua convocatória.

Laterais Esquerdos

Raphaël Guerreiro e Fábio Coentrão

Numa posição em que a abundância de escolha não se compara às restantes, acreditamos que Fernando Santos chamará Raphaël Guerreiro e Fabio Coentrão, muito pela pouca rotina de Eliseu nesta época. Prevê-se que a titularidade seja atribuida a Raphaël Guerreiro.

Ambos os laterais referidos acima são capazes de cobrir todo o flanco esquerdo, sendo que Raphaël Guerreiro ocupa, por vezes, uma zona mais central do terreno, ao contrário de Coentrão, um ala clássico.

Wildcard: Mário Rui

Após o seu empréstimo ao Nápoles, Mário Rui tem aproveitado as suas oportunidades e realizando boas exibições, que lhe podem valer uma chamada à seleção.

Médios Defensivos

William Carvalho e Danilo Pereira

Uma das posições fulcrais no sistema tático de Fernando Santos, por aqui se inicia o ataque da seleção portuguesa, daí a opção por jogadores com elevado critério no passe, como William Carvalho e Danilo, ambos em excelente forma pelos respetivos clubes, repetindo assim a dupla eleita para o Euro 2016 e para a Taça das Confederações.

William Carvalho assume-se mais como um construtor de jogo recuado do que Danilo, cuja maior qualidade é a recuperação de bolas, embora também tenha uma boa qualidade de passe.

Wildcard: Rúben Neves

Depois da sua saída do FC Porto, Rúben Neves tem tomado de assalto o “Championship” Inglês, sendo uma das principais figuras do Wolves esta época. Existem já rumores de uma potencial transferência para a Premier League e uma chamada à seleção consagraria uma grande época do jovem portuense, no entanto, a concorrência é feroz.

 

Médios Centro

João Moutinho, João Mário, André Gomes e Bruno Fernandes

No meio campo, acredito que Fernando Santos irá manter o núcleo que venceu o Euro 2016, chamando João Moutinho, João Mário, André Gomes, com a adição de Bruno Fernandes, após uma excelente época de estreia no Sporting CP, em detrimento de Renato Sanches, que ainda procura a forma e consistência exibicional que o catapultou para a Elite do futebol europeu.

João Mário poderá atuar numa das linhas também, como tem feito por várias ocasiões na seleção, enquanto que João Moutinho assumirá uma posição mais central do terreno. Bruno Fernandes assume-se como um 8, embora tenha também capacidade para atuar num setor mais adiantado do terreno; André Gomes tem sido utilizado como médio centro de raiz no FC Barcelona, posição onde se destacou em Valência também.

Wildcard: Adrien Silva e Manuel Fernandes

O azar ditou a ausência de Adrien da alta competição por 4 meses. A adaptação à Premier League tem sido positiva, no entanto a sua falta de utilização poderá retirá-lo das escolhas de Fernando Santos, apesar da sua qualidade ser garantida.

Manuel Fernandes havia estado fora da seleção durante largos anos, no entanto, as suas exibições recentes pelo Lokomotiv de Moscovo podem valer-lhe um lugar, ainda que improvável, na convocatória de Fernando Santos. Os 32 anos de idade parecem não incomodar o médio português, que protagonizou um “hat-trick” na Liga Europa frente ao Nice. A sua boa forma tem vindo a ser recorrente nos últimos anos, pelo que é injusto o reduzido número de internacionalizações que acarreta.

Extremos

Bernardo Silva, Gelson Martins, Gonçalo Guedes e Ricardo Quaresma

Uma das boas dores de cabeça de Fernando Santos é a abundância de extremos de elevada qualidade no plantel português, o que torna a escolha ainda mais dificil. A adaptação rápida de Bernardo Silva ao futebol inglês valer-lhe-à um lugar na convocatória, assim como a Gelson Martins, que tem feito uma boa época ao serviço do Sporting. Gonçalo Guedes revela-se também merecedor de um lugar na mesma, após ter tomado de assalto a Liga Espanhola. Quem também prevejo que esteja no avião para a Rússia será Ricardo Quaresma, o suplente de luxo da nossa seleção, cuja capacidade de mudar o rumo do jogo é notável, assim como a sua técnica e habilidade.

Um dos setores com mais qualidade desta seleção, que promete dar água pela barba aos defesas adversários.

Wilcards: Nani e Bruma

Uma das figuras da seleção nacional no Euro 2016, parte atrás dos adversários diretos ao lugar na convocatória pela reduzida utlização na Lazio de Roma (12 jogos). Apesar disso, a sua habilidade e entrega são inquestionáveis, pelo que não me surpreenderia se entrasse nas contas de Fernando Santos. A dúvida reside apenas na qualidade dos concorrentes ao lugar. Em situação normal, a sua presença na convocatória seria inquestionável.

Quanto a Bruma, revela-se como uma possível aposta do selecionador nacional. Após a sua polémica transferência do Sporting CP para o Galatasaray, o português não impressionou nas suas primeiras épocas, sendo depois emprestado à Real Sociedad, onde encontrou a forma de outros tempos, valendo-lhe a chamada de regresso à Turquia, transferindo-se, no inicio desta época para o RB Leipzig, onde está a realizar mais uma boa época, tendo sido mesmo o jogar com maior eficácia de drible na fase de grupos da Liga Dos Campeões, acima de galáticos como Neymar, Ronaldo e até Messi. A sua habilidade é inquestionável, veremos se será aposta por parte de Fernando Santos.

 

Avançados

Cristiano Ronaldo e André Silva

Portugal chega ao próximo Campeonato do Mundo tendo colmatado uma das principais lacunas dos últimos anos, o centro do ataque. O aparecimento de André Silva e a adaptação de Cristiano Ronaldo à posição de Ponta de Lança, por força da idade, provam ser duas grandes alternativas para o centro do ataque, permitindo a Portugal optar por um 4-4-2 ou pelo tradicional 4-3-3, com Ronaldo a atuar na esquerda e André Silva no centro. Apesar da pouca utilização e rendimento de André Silva após a chegada de Gattuso ao comando técnico do AC Milan, tudo indica que estará presente na convocatória. Quanto ao nosso Capitão, CR7 (após um mau inicio de época, marcado pela sua suspensão de 5 jogos, logo após a Supertaça Espanhola) parece ter encontrado o caminho da baliza mais uma vez, fazendo da Liga dos Campeões o seu palco de eleição, onde leva 12 golos em 8 partidas, até à data. Esperemos que guarde a sua melhor forma para este verão.

Wildcard: Gonçalo Paciência

A sua boa forma no Vitória de Setúbal, principalmente na campanha dos Sadinos na Taça da Liga deste ano, valeu-lhe o regresso ao plantel do FC Porto, onde já assumiu a titularidade no “clássico” da semana passada, frente ao Sporting CP. Apesar de tudo, parece difícil a sua presença na convocatória da seleção nacional. Contudo, o futuro parece promissor para o jovem avançado.

 

 

Portugal chegará à Russia com estatuto de possível candidato à vitória, embora seja importante deixar de lado todo o favoritismo (ainda que não seja descabido, visto que Portugal chega a este Mundial com o estatuto de Campeão Europeu em titulo) e que todo o foco esteja no estudo das equipas adversárias. O jogo inaugural de Portugal  neste Mundial é frente à vizinha Espanha, um confronto ibérico, que promete fazer correr muita tinta, encontro esse que coloca frente a frente duas excelentes equipas, uma oportunidade para Portugal mostrar toda a sua qualidade. Prevê-se uma passagem de Portugal aos oitavos-de-final da prova, embora a seleção marroquina, onde militam nomes conhecidos do futebol português, como o ex-Benfica Mehdi Carcela, possa desafiar Portugal na luta pela qualificação para a fase a eliminar.

Após o sucesso de 2016, preveêm-se altos voos para a Seleção Portuguesa. Até lá, aguardemos por 15 de junho.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados. 

Escrito por: João Rego

Editado por: André Blayer

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