O (meu) Óscar vai para “Call Me By Your Name”

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Da esquerda para a direita: Elio (Timothée Chalamet) e Oliver (Armie Hammer)

Passa-se numa cidade do Norte de Itália, digna de tal magnificência, cujos cenários captam, logo à partida, a atenção do espectador. Elio (Timothée Chalamet), um jovem multifacetado, detentor de um saber exímio, prepara-se para passar um verão frívolo, quando Oliver (Armie Hammer), de uma forma tão inesperada, vem mudar o seu mundo. Aquela que, inicialmente, é uma provocação fustigante entre eles, passa a uma química inegável, despoletando um sentimento belo entre dois seres humanos. 

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Em “Call Me By Your Name”, ficamos perante o amor na sua manifestação mais pura, sem adornos ou artifícios. A construção deste sentimento não pressupõe ideias pré-concebidas e/ou estereotipadas típicas da nossa sociedade. O background dos intervenientes é irrelevante. O foco é colocado no “aqui e agora”, transportando-nos, assim, para uma dimensão livre de estigmas sociais e preconceitos, uma dimensão caraterizada por um conjunto de sentimentos que assumem as aparências mais pueris.

Não há, também, qualquer pressão social na construção deste sentimento. Para além disso, tanto Elio como Oliver não sentem necessidade de catalogar aquilo que nutrem um pelo outro. Por extensão, não sentem necessidade de reputar a sua identidade. O Elio não deixa de ser aquilo que é. O Oliver, de igual forma, não deixa de ser aquilo que é.

A magia deste filme assenta, em grande parte, na abordagem simplista, mas eficaz, de inúmeras temáticas. A abordagem é tão pura que nos deixa ébrios de felicidade.

Não se trata da história de amor de um casal homossexual. Trata-se, sim, de uma história de amor entre duas pessoas. Essas, como tantas outras, amam e desejam. Esse desejo nunca é explícito ao nível de cenas potencialmente chocantes, mas pelos olhares mélicos que estes dois seres humanos vão trocando ou, simplesmente, por um mero toque.

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“Call me by your name and I’ll call you by mine” – Esta é uma das passagens mais deliciosas do filme. Aqui, dá-se conta da assimilação do outro como igual a si próprio.

O desenlace final obriga-nos, efetivamente, a entrar num processo de auto-reflexão. A verdade é que todas as nossas experiências são insubstituíveis. Algumas, deixam uma saudade pungente, uma saudade que dói. Resta-nos, então, explorar novos caminhos. Apaixonarmo-nos, desapaixonarmo-nos e voltarmo-nos a apaixonar, sem nunca esquecer que essas mesmas experiências são eternas e sempre possíveis de relembrar.

Por fim, espero que o dia 4 de março seja venturoso. De facto, este filme veio acrescentar algo de novo à história da Sétima Arte. Por todas as razões enunciadas e mais algumas, o (meu) Óscar vai para “Call Me By Your Name”.

Escrito por: Carlos Coelho

Editado por: Ricardo Marquês

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