La Casa de Papel: provavelmente a melhor produção televisiva de “nuestros hermanos” nos últimos tempos

A nova série que está a dar que falar, La Casa de Papel, escrita e produzida por Álex Pina, estreou a 2 de maio de 2017 em Espanha, tendo sido adicionada ao catálogo da Netflix no dia de Natal do mesmo ano, e promete fazer qualquer um desenvolver uma adição a esta nova mini-série espanhola. Posso garantir-vos que se vão apaixonar pela sensualidade de Tokyo, pela preponderância de Berlin, pela impetuosidade de Denver ou pela experiência de seu pai, Moscow. Até agora só viram nomes de cidades certo? Mais à frente explicarei o seu significado.

De que se trata, afinal, La Casa de Papel? A resposta pertence a El Profesor, interpretado por Álvaro Morte, dotado de uma inteligência inigualável. Planeia realizar o maior assalto de sempre, “el Atraco del Siglo” (O Assalto do Século) segundo o próprio. Ora, o Professor não consegue levar a cabo um golpe destes sem reunir uma equipa capaz de realizar o trabalho com precisão e eficácia. A escolha recai sobre oito pessoas, todas com antecedentes criminais, como roubos a joalharias, a carrinhas de valores ou a museus. No entanto, desta vez será diferente, devido à envergadura do golpe que planeiam. Antes de revelar o local que iriam assaltar, o Professor reúne os oito numa espécie de sala de aula, onde lhes explica as regras para o bom funcionamento do roubo, entre elas: nada de nomes verdadeiros. Posta esta regra, decidiram usar cidades como nomes-código, e daí surgiram: Tokyo (Úrsula Corberó), Rio (Miguel Herrán), Berlin (Pedro Alonso), Denver (Jaime Lorente), Moscow (Paco Tous), Nairobi (Alba Flores), Oslo (Roberto García) e Helsinki (Darko Peric).

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No meio da imagem acima podem ver uma representação do local que irá ser assaltado: La Fabrica Nacional de la Moneda y Timbre, em Madrid, ou, se preferirem, a Casa da Moeda Espanhola, o local onde todos os dias são impressas milhares de notas de 50 euros. Uma curiosidade é que o edifício onde se desenrola a série é, na verdade, o Conselho Superior de Investigações Científicas, tendo a verdadeira Casa da Moeda lugar não muito longe dali. Outra curiosidade é a música inicial de um dos episódios, “Fado Boémio e Vadio”, cantado por Piedade Fernandes, conferindo uma certa “Portugalidade” à série espanhola, ainda por cima no plano em que se insere a música, o que prova que:

“Há um fado que é cantado, há um outro que é sentido”

Muito por alto, a ideia do Professor é roubar cerca de 2400 milhões de euros, mas de uma maneira que ninguém se lembrou outrora. Durante cinco meses, a equipa planeia o golpe meticulosamente, sob a alçada do Professor, para que tudo corra da maneira certa, seguindo uma regra importantíssima: não fazer vítimas. A premissa é que a opinião pública esteja do lado dos assaltantes e, para isso acontecer, não pode ser derramada uma única gota de sangue da parte dos assaltantes.

Chegado o dia do golpe, encontram-se cerca de 70 pessoas dentro do edifício, entre elas uma turma da qual faz parte Allison Parker (“El Corderito“), filha do embaixador britânico, que serão feitas reféns. O plano pressupõe que, durante 11 dias, tanto os assaltantes como os reféns não saiam de maneira alguma da Fábrica. Todos estão vestidos com fatos de macaco vermelhos e uma máscara de Salvador Dalí, tanto os golpistas como os civis que se encontram dentro do edifício de maneira a confundir a polícia, tornando a tarefa de abater os assaltantes ou de levar a cabo uma intervenção bastante difícil. A inspectora encarregue do caso é Raquel Murillo (Itziar Ituño), uma mulher que foi violentada pelo marido, o que desperta alguma descredibilização e até descrença da parte da população, das próprias forças de autoridade e da comunicação social no discernimento e capacidade da inspectora.

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Da esquerda para a direita: Berlin, Helsinki, Oslo, Nairobi, El Profesor, Moscow, Denver, Rio e Tokyo

De facto, o que nos prende a esta série é a maneira metódica pela qual se pauta a equipa e o Professor, pois há inúmeras cenas em que pensamos “desta não se safam”, no entanto, acabamos sempre por ser surpreendidos pela capacidade do Professor em dar a volta por cima, antecipando todo e qualquer movimento efetuado pela polícia. A própria história do assalto vai-se desdobrando em vários dramas de cada um dos intervenientes.

Toda a série se foca em como irão sair da Fábrica, visto que o edifício está completamente cercado por polícia e snipers, mas, como é lógico, não irei contar o final, deixarei isso para o leitor que seguramente quererá ver esta magnífica obra-de-arte produzida por “nuestros hermanos“. A série conta com o streaming completo de 13 episódios e promete uma segunda parte já em abril, com a certeza de que a atenção do público será mais uma vez captada ao máximo de maneira a que ninguém fique indiferente aos planos de ataque do novo grupo de assaltantes favoritos de muita gente.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados. 

Escrito por: Bruno André

Editado por: Daniela Carvalho

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