O povo catalão escolheu. E agora? Coligação constitucionalista ou ”geringonça” independentista?

   O resultado das eleições do dia 21 de dezembro na Catalunha confirmou a profunda divisão em que se encontra a sociedade catalã: apesar da vitória do partido ”Ciudadanos”, a favor da união de Catalunha com Espanha, os 37 dos 135 deputados eleitos não oferecem a maioria absoluta desejada para formar governo. Antes pelo contrário, a maioria absoluta está do lado dos três partidos independentistas, cuja soma de deputados equivale a 70. No que se refere ao Partido Popular, este sofreu uma pesada derrota ao eleger apenas 3 deputados. Os restantes deputados foram distribuídos pelo Partido Socialista e pelo CatComú-Podem, que adoptaram uma atitude quase ”neutra” no que toca à crise política vivida na Catalunha nos últimos meses.

Tendo em conta estes resultados, que futuro se avizinha para a Catalunha? É de notar que os três partidos mais votados, Ciudadanos, Junts Per Catalunya e Esquerda Republicana, tiveram resultados próximos no que diz respeito ao número de votos, o que prova a ruptura em que se encontra a Catalunha. A falta de uma maioria absoluta poderá ser gerida de duas formas: poderá ser formada uma coligação constitucionalista, ou seja, uma coligação entre os partidos que são a favor da união da Catalunha com Espanha (o que se torna complicado devido às diferenças que existem entre estes partidos), ou uma coligação independentista. Mas este último cenário também não é de fácil concretização devido também à fractura que existe no bloco independentista: para além da batalha judicial que alguns dos líderes dos partidos independentistas enfrentam com Madrid, a ideia e estratégia a adoptar para a independência da Catalunha diferem entre estes partidos, com o CUP a favor de uma declaração unilateral da independência catalã e os restantes partidos dispostos a dialogar e a negociar com o governo central.

Um impasse parece estar à vista não só para a Catalunha como para o governo em Madrid. Com a derrota sofrida nestas eleições, Mariano Rajoy vê-se confrontado com uma crise política contra a qual o argumento constitucional/jurídico não parece surtir efeito. Caso o impasse se mantenha, Catalunha terá que voltar às urnas.

Mas qualquer que seja o governo que se forme, seja um governo independentista ou unionista, a possibilidade de resolução desta crise terá que passar por uma conjugação de esforços para o diálogo entre Madrid e Catalunha: seja em matéria de revisão da forma de Estado unitário do Estado espanhol, seja em matéria de possibilidade de realização de referendo para a independência da região ou em matéria de maior autonomia fiscal. Sem diálogo não há consenso, e sem consenso não há democracia.

Escrito por: Andriy Voyevoda

Editado por: André Blayer

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