Tupac Shakur, a incrível ascensão da carreira e o trágico assassinato

Fez no passado dia 5 de Novembro, 21 anos, que Tupac Shakur lançou o seu último álbum The Don Killuminati: The 7 Day Theory, também conhecido por Makaveli. Foi lançado dois meses após a sua morte, sendo o primeiro álbum de Tupac a ser publicado após o seu assassinato. O álbum foi produzido, na sua totalidade, em apenas sete dias, sendo que em, apenas, três dias Tupac escreveu todas as suas letras.

Tupac nasceu a 16 de Junho de 1971, na cidade de Nova York. Os seus pais, Afeni Shakur e Billy Garland eram membros activos do “Black Panther Party”, movimento político que emergiu durante os anos 60 na luta pela igualdade racial, nos Estados Unidos da América. Foi através deste movimento que Tupac se inspirou na forma como poderia encarar a luta contra o racismo, e assim o fez. Muitas das suas letras contêm influência deste movimento, como, por exemplo, na sua música, lançada em 1998, “Changes”, na qual existe mesmo referências a Huey Percy Newton, co-fundador, líder e inspirador do partido revolucionário Panteras Negras. Em 2009, o Vaticano divulgou uma lista de doze músicas preferidas, “Changes” foi uma das escolhidas afirmando que “os géneros são muito diferentes uns dos outros, mas todos estes artistas procuram chegar ao coração de pessoas de boa fé”.

Depois de estudar poesia, teatro e música no liceu, Tupac começou a dar os primeiros passos no mundo da música. Iniciou o seu trabalhou como dançarino no grupo “Digital Underground” em 1990.

No dia 12 de Novembro de 1991, estreou o seu álbum solo “2Pacalypse Now”, no qual Tupac comenta sobre os grandes problemas sociais que os Estados Unidos atravessavam tais como: racismo, brutalidade policial, pobreza e gravidez na adolescência. Este álbum apresenta três singles que expressam exactamente o que Tupac sentia, “Trapped”, “If My Homie Calls” e, o mais conhecido, “Brenda’s Got a Baby”, no qual é retratada uma história de uma menina de doze anos, Brenda, residente num bairro social que mal consegue suportar o seu filho. A música explora a questão da gravidez na adolescência e o seu efeito sobre as mães jovens. Graças ao nível de originalidade que Tupac apresentou, o álbum vendeu bastante bem e estabeleceu-o como uma voz importante no mundo do rap.

Tupac não se ficou apenas pela música, ao longo da sua carreira, interpretou vários papéis no mundo do cinema. Teve o seu primeiro papel como protagonista no thriller “Juice”, atuando ao lado de atores conhecidos como Samuel L. Jackson.

No entanto, nem sempre Tupac sentiu apoio, era muitas vezes criticado e espezinhado em público pelo simples facto de abordar temas sensíveis. Queixava-se muitas vezes que era mal interpretado e defendia que, um bom álbum era aquele que aborda as questões difíceis, mas sentia que passavam muitas vezes despercebidas na sociedade.

E as coisas pareciam ainda piorar depois de um incidente em Atlanta, quando Tupac alvejou dois polícias. As acusações, no entanto, foram descartadas após se descobrir que, os dois polícias estavam embriagados e ameaçaram Tupac com uma arma roubada. O caso, na altura, ilustrou perfeitamente a luta entre a comunidade afro-americana e a polícia que, muitas vezes, actuava sem remorsos ou respeito sobre esta comunidade, obrigando, tantas outras vezes, a actos de autodefesa que acabavam por dar uma imagem de luta criminosa.

Ao longo do tempo, a estrela Tupac continuou a subir no mundo artístico. Em 1993, lança o seu segundo álbum, “Strictly 4 My Niggaz”, muitas vezes considerado o seu maior avanço não só como artista, mas como pensador e defensor da igualdade racial. Semelhante à estreia do seu primeiro álbum, este contém muitas letras que enfatizam a luta política e social que o país atravessava. Este álbum teve mais sucesso que o antecessor, ganhando mesmo o estado de dupla platina. Tem como músicas principais as famosas, “Keep Ya Head Up” e “I Get Around”.

Antes que Tupac pudesse lançar o seu terceiro álbum, mais problemas surgiram. Em Novembro de 1994, foi alvejado várias vezes no lobby de um estúdio de gravação em Manhattan, por dois jovens negros. Tupac, na altura, também lutava contra uma acusação de abuso sexual, apresentada em Novembro do ano anterior. Segundo a acusação, Tupac e outros presentes foram acusados de ter tido relações sexuais com uma mulher sem consentimento, num quarto de hotel. Para Tupac, as acusações eram completamente descabidas e declarou-se inocente, afirmando nunca ter desrespeitado nenhuma mulher daquela maneira, uma vez que toda a sua vida e principalmente na infância, foi passada à volta de mulheres que o educaram e protegeram. O resultado do julgamento foi bastante controverso, Tupac foi condenado por abuso sexual de primeiro grau e absolvido do resto das acusações. O juiz declara os atos de Tupac Shakur como “um ato de violência brutal contra uma mulher indefesa”.

Quando o terceiro álbum de Tupac saiu em 14 de março de 1995, ele ainda estava preso. “Me Against the World” foi o título escolhido, e não poderia ter sido mais apto tendo em conta a situação que Tupac atravessava. Tupac neste álbum tira inspiração lírica da sua experiência na prisão.

É considerado o álbum mais introspectivo do rapper, refletindo mais sobre a sua própria alma e consciência. A famosa música e pessoalmente uma das minhas favoritas “Dear Mama” estabeleceu um novo nível para Tupac. Lançada como single principal, é uma homenagem à sua mãe Afeni Shakur. Nesta música, Tupac retrata a pobreza da sua infância e a toxicodependência da sua mãe, lembrando sempre entender o esforço e sacrifício que a sua mãe fazia, demonstrando um respeito profundo pela mesma. “Dear Mama” foi consistentemente classificada entre as melhores do seu género e considerada “cultural, historicamente ou esteticamente importante, que informa ou reflecte a vida nos Estados Unidos”.

O lançamento deste álbum fez de Tupac o primeiro artista a publicar um álbum enquanto servia tempo na prisão. A prisão para o artista serviu também para ler, e ler muito. Ganhou interesse por filosofia e estratégia militar que fez com que estudasse obras do italiano Nicolau Maquiavel, “O Príncipe” e a famosa obra de Sun Tzu, “A arte da Guerra”. Estes foram os principais livros que inspiraram o músico, tendo ele próprio criado o seu pseudónimo “Makaveli” sob o qual lançou o álbum “The Don Killuminati: The 7 Day Theory”. Mas muitos outros livros ajudaram Tupac a evoluir como artista, tais como: “Autobiografia de Malcolm X”, “Como Argumentar e Vencer Sempre”, “O Livro Tibetano dos Mortos”, foram alguns dos muitos livros que Tupac leu para se inspirar para a próxima fase da sua vida, após sair da prisão.

“All Eyez on Me” é o quarto álbum do rapper americano e o último a ser lançado durante a sua vida. Foi lançado a 13 de Fevereiro de 1996 pela Death Row Records. O álbum apresentou os singles conhecidos, “California Love”, “How Do U Want It” e “I Ain’t Mad at Cha”.

As músicas deste álbum são, no geral, uma vontade de viver uma vida diferente e deixar o passado para trás. Embora Tupac toque em assuntos do passado, é claramente um ponto de viragem para o artista. Afasta-se da consciência social e política dos álbuns anteriores e centra-se na forma como se sentia constantemente observado pela sociedade. Nestas músicas, o rapper faz saber que sente a presença de uma vigilância, principalmente pela polícia e de o facto de ser cada vez mais visto como um “role model” pela sua comunidade.

Tupac interessou-se cada vez mais pela ajuda que podia dar à comunidade, financiou um centro juvenil para crianças em risco, uma equipa do South Central e estabeleceu uma linha de ajuda telefónica para jovens com problemas.

O crescimento de Tupac como artista e pessoa, inspirou várias outros artistas como, Eminem e Kendrick Lamar, a criar o seu estilo musical. Tupac não era apenas um músico, tornou-se numa figura de luta contra a injustiça social e o rótulo que os guetos americanos tinham.

Tinha a honestidade como dever e não virtude, algo em que me revejo bastante, foi preso injustamente e mesmo assim soube lidar com a situação e subir ainda mais a fasquia como músico. Apesar dos cinco àlbuns lançados, existem muitas outras músicas que escreveu ou lançou separadamente ou foram editadas após a sua morte. “Better Dayz”, “All About You”, “So Many Tears”, “To Live & Die in L.A”, “Hail Mary”, “Unconditional Love” e “Ghetto Gospel” são muitas das músicas de uma qualidade e originalidade extrema.

Shakur é consistentemente classificado como um dos melhores e mais influentes rappers de todos os tempos, tendo sido classificado pela revista Rolling Stone, entre 100 artistas, como um dos maiores artistas de todos os tempos.

Na noite de 7 de Setembro de 1996 após ter visto um combate de Mike Tyson, Tupac Shakur, é alvejado treze vezes. No hospital Tupac foi colocado em máquinas de suporte de vida e, em última instância, colocado sob coma induzido. Ao fim de seis dias, e a lutar contra uma grave hemorragia interna é declarado morto no dia 13 de Setembro, tinha apenas 25 anos.

“If you let a person talk long enough you’ll hear their true intentions. Listen twice, speak once.”

Escrito por: Pedro Santos

Editado por: Ricardo Marquês

 

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