“Red Pill Blues” – do ótimo ao lendário

À essência acústica e romântica de Maroon 5 complementa-se, no sexto LP da banda americana, um ritmo sintetizado e eletrónico à discografia, o que arrepia qualquer um.

51o8GPvpasL._SS500.jpg

Red Pill Blues (ouvir álbum aqui), o novo sucesso do grupo, conta com 15 faixas e todas elas dinâmicas e irresistíveis combinadas com os típicos vocais suaves de Adam Levine a que estamos habituados, como já se ouvia em “What Lovers Do” ou “Cold”.

A grande abertura é feita ao som de “Best 4 U”, parecendo feito sob influência de The Weeknd,  a novidade que faz querer ouvir o álbum até ao último segundo. No entanto, ao logo do LP, encontram-se faixas como “Bet My Heart” e “Closure” (cujas composições irei falar mais à frente) que contam com jams que nos lembram o tom primordial de Maroon 5 contrastando com o ritmo pulsado de músicas como “Wait” e “Lips On You”. 

“You keep me connected to you like I was your shadow
You’re giving me answers to all of my questions here on my pillow, oh”

Produzida por Charlie Puth e Jason Evigan, “Lips On You” é o resultado mais parecido com R&B que deste álbum podem esperar, desde a batida pesada à onda clássica de Maroon 5, complementado com a onda jazz inerente ao rhythm and blues.

Passando agora às origens de Maroon 5, para quem é amante incondicional do som acústico, não se preocupe que podem voltar a ouvi-lo em “Closure”, “Bet My Heart” e, das minhas preferidas, “Denim Jacket”.

“It’s not time for conversation, no
I don’t wanna complicate this for you
And I leave them other girls alone
If you’ll be the one that I come home to”

Bem romântica a “Bet My Heart”, não? A. Levine continua a encantar navegando perfeitamente no Pop Moment. Contudo, se pensam que é só, enganam-se – a “Denim Jacket” põe qualquer um a suspirar na sua balada com uma partitura de estilo apassionato.

Uma das grandes diferenças deste álbum para os sucessos anteriores é, sobretudo, a quantidade aumentada de colaborações perfeitamente combinadas, nomeadamente com artistas de rap como Future, A$AP Rocky e Kendrick Lamar.

“Wasted (wasted)
And the more I drink the more I think about you
Oh no, no, I can’t take it
Baby, every place I go reminds me of you”

Se “Cold” já tinha virado sucesso antes do álbum aparecer, imaginem o que aconteceu quando a banda de LA se junta com o Kung Fu Kenny – simplesmente incrível. Mas isto não acontece só com Future ou Kendrick Lamar – a seu lado, estão também artistas mais jovens como A$AP Rocky, SZA, Julia Michaels e LunchMoney Lewis.

Numa parceria com Julia Michaels que faz perder o sono (literalemente), a voz de “Issues” está bem presente numa combinação em uníssono magnífica. “Help Me Out” é um produto com um objetivo romântico de entreajuda fascinante. E por falar em romântico, “What Lovers Do” está no top, visto que é rara a pessoa que não a cante nas ruas. SZA traz o estilo de “Love Galore” ao estúdio de Maroon 5 e saem de lá a pedir para tentarmos fazer o que os apaixonados fazem.

“I used to try to forget her
But now I smile when I remember”

A$AP Rocky entra em grande ao som de “Whiskey”, onde afirma que não sabia que o amor era cego até conhecer uma rapariga que o faz querer esquecê-la, mas não consegue. Isto tudo se passa em setembro, onde o tempo esfria e ela é protegida pelo casaco dele, bem típico do tom apaixonado de Maroon 5. Paralela a esta, temos a colaboração com LunchMoney Lewis, produzida por Ricky Reed, que se reflete como a confirmação de que o amor é, realmente, cego e tudo o que mais brilha no mundo é o amor.

No mesmo plano estão “Girl Like You” e “Visions” onde “girls like you run ‘round with guys like me” ou, para quem gosta de déjà-vus, “I keep seeing visions of you (…) I keep getting stuck (…) in this déjà-vu”. Estas não contam com colaborações, mas sim com o toque sintetizado e eletrónico que a banda californiana adicionou ao recente LP.

E como se costuma dizer que “o melhor fica para o fim”,  para quem ainda preferir o tom melódico e apaixonado como em Songs About Jane, pode encontrá-lo também no contraste lírico e musical, tendencionalmente semelhante a um ritmo alternativo que lembra o antigo Chet Faker, da metáfora induzida em “Plastic Heart” (certamente, a minha preferida) – “All you gave me was a plastic rose”.

Portanto, no meio de tanta inovação no pop característica do grupo, se já consideravam os Maroon 5 ótimos em 2002, preparem-se para os considerar lendários em 2017.

Classificação TDSessions: 6/10

Escrito por: Elisa Lamy

Editado por: Ricardo Marquês

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s