À conversa com David Griffin, ex-GM dos Cleveland Cavaliers

Se existe personalidade respeitada no mundo dos desportos, é David Griffin. O ex-general manager dos Cleveland Cavaliers, campeões no ano de 2015-2016, teve uma conversa com o desacordo, onde se discutiu tudo, desde o estado do desporto universitário norte-americano até a previsões para esta temporada.

David Griffin marcou presença no segundo dia de Web Summit para discutir, juntamente com Domingos Oliveira, CEO do Sport Lisboa e Benfica, “Legado Vs Dinheiro: Como conseguem os clubes competir?”.

Nesta conversa, foi discutido o estado do futebol, onde muitos clubes detêm todo o poder monetário, enquanto outros, como é o caso do Benfica, tentam aliciar os jogadores pela cultura clubística e tratamento personalizado desde o primeiro dia, sendo cada vez mais evidente o diferencial de poder de compras entre estes. Para Domingos, segurar talentos é difícil em Portugal, afirmando que quando um clube internacional (leia-se maior) quer um jogador presente num clube português, têm-lo, pela falta de argumentos monetários ostentados pelo lado português.

David deu o seu exemplo, ao falar de LeBron, afirmando que, à semelhança com o caso da transferência de Neymar para o PSG, um clube quando faz um investimento num jogador, considerado estrela, paga mais do que aquilo que ele vale estatisticamente falando, pois as vantagens que traz para uma equipa vão para além daquelas consideradas técnicas. Discute ainda a importância da “big data”, e como a leitura da mesma se torna num facto essencial para prever a evolução de um jogador, tornando-se uma ferramenta ideal para os clubes com menos poder de compra, onde a margem de erro é muito mais limitada, quando em comparação com o outro lado do espectro.

Depois deste momento, tivemos o prazer de nos sentarmos com David Griffin para discutir o estado do desporto universitário e da NBA.

O grande desafio do desporto universitário norte-americano é, segundo Griffin, a partida das suas vedetas mais cedo do que o esperado para as grandes ligas. No caso do basquetebol, todas as picks mais altas do draft correspondem a alunos que só frequentaram um ano de faculdade. Esse factor é um desafio enorme, mesmo para treinadores de alto nível, que tanto de treinador têm como de professores. Aponta, como exemplo a seguir, o caso da NFL, onde os jogadores são obrigados a cumprir os três anos de faculdade, permitindo, assim, um leque de jogadores maior e mais preparados para jogar nas ligas consideradas profissionais, deixando ainda a referência que as escolas que mais sucesso têm a nível universitário, falando aqui de basquetebol, são aquelas que têm e formam os seus jogadores durante um período maior de tempo, tais são os casos das universidades de Kentucky e Kansas, que têm nos seus treinadores uma referência no desenvolvimento de jogadores.

Em contextualização com o caso português, David diz-nos que o sistema de desenvolvimento de jogadores europeus não é melhor nem pior que o americano, é apenas centralizado todo na formação profissional, por um clube, e não através de um sistema de ensino, seja ele de liceu ou universitário.

No que concerne o estado da NBA, Griffin aponta Grep Popovich como o seu treinador favorito, pelo trabalho que tem desenvolvido, de forma incrivelmente consistente nos San Antonio Spurs, deixando referências a Tyronne Lue, treinador dos Cleveland Cavaliers, Brad Stevens, dos Boston Celtics, Quin Snyder, Utah Jazz, e a Kenny Atkinson, dos Brooklyn Nets. Deixa, ainda, elogios ao sistema focado na big data dos Boston Celtics e dos Houston Rockets, onde existe, por parte dos treinadores, Brad Stevens e Mike D’Antoni, uma confiança infindável, que passa para os seus jogadores.

Apesar da situação menos positiva da sua antiga equipa, David não se mostra preocupado, justificando a má performance com o estreitamento da off-season, em conjunto com as mudanças drásticas de plantel e a ida às finais no ano passado. Porém, deixa rasgados elogios a LeBron, defendendo-o como o jogador que aparece sempre para levantar a equipa, levando-a, em muitos casos, à vitória.

Em tom de final de entrevista, aponta para umas finais de conferência muitíssimo competitivas e, ao sorrir, prevê uma repetição das finais dos últimos anos, Cavaliers contra Warriors, reforçando o enorme trabalho feito, a nível pessoal com os seus jogadores, por Steve Kerr, seu estimado amigo, considerando-o um winner in life.

 

 

 

Escrito por: Ricardo Marquês

Fotografias por: Inês Paulos e Ricardo Marquês

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