The Desacordo Sessions – “Scream Above the Sounds” leva-nos “above the clouds”

Scream Above the Sounds (ouvir álbum aqui), o mais recente álbum da banda britânica Stereophonics, é exatamente o produto inteligente, com a boa composição melódica, que os fãs esperavam. 

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Diretamente de País de Gales, Stereophonics, que atuaram quer no NOS Alive, em 2013, quer no Rock in Rio, na edição de 2016, regressam em grande com uma nova discografia que marca o seu 25º aniversário.

Iniciando o álbum com “Caught By the Wind“, inspirada pelos ataques ao Bataclan, em Paris, esta expressa, na sua melodia encriptada, a maravilha dos prazeres da vida e uma subtil crítica às medidas de segurança tomadas então.

“Days end, trees bend, whats lasts forever?”

Numa batida enérgica do britpop, rock alternativo e pubrock, seguem-se músicas como “Taken A Tumble” que expressa a adrenalina nas primeiras conversas entre dois apaixonados e o incentivo a que tal aconteça para, finalmente, chegar ao ponto em que os dois já se consideram um “todo”.

“Come on now you can see this could be golden
Just let go all you know I’ll be your shoulder
You and me across the sea fly on a jet plane
It’s plain to see you and me are going someplace”

Na mesma linha de pensamento (não seguindo a ordem do álbum), temos melodias como “Geronimo” e “Cryin’ In Your Beer”, onde as cordas se fazem sentir num tom bem annimato e arrepiam os fãs só de ouvir “It’s alright stop crying in your beer”.

Num álbum de 11 faixas, é difícil nomear a favorita. Para muitos será a “All in One Night”, onde uma festa tem o poder de mudar a vida inesperadamente; para outros (e para mim, em particular) destaca-se “Before Anyone Knew Your Name”, onde Kelly Jones nos leva ao nosso universo sentimental relatando aspetos sobre a amizade e a perda, em homenagem ao antigo companheiro e baterista dos Stereophonics, Stuart Cable.

“Hell I did it again
Would you believe?
I messed it all up again
Would you believe?
Sometimes I wish I was dead
Would you believe?
Said things I shouldn’t have said
Would you believe?
Ah it’s all gone to my head”

E para aqueles dias em que nos sentimos em baixo, não há nada melhor que músicas que descrevam o nosso estado de espírito como a “Would You Believe”. Já Arthur Schopenhauer dizia que “a música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão desconhece”. E tem razão – a música sente-se. E assim, sente-se tão bem que até em “Boy On A Bike” conseguimos alcançar a saudade da infância de um rapaz que era livre em cima da bicicleta, no entanto “we sometimes crash and burn” e perdemos a inocência da época em que o parque infantil era o ponto de encontro.

“Tonight – you look like you wanna fight
And I feel you’re dreaming it up inside”

“Chances Are” e “Whats All The Fuss About?”, num estilo semelhante a Razorlight, onde o protagonista se dirige à segunda pessoa do singular, indignado a um ritmo bem alternativo, questionando, primeiramente, qual a probabilidade de a pessoa fazer algo e, em segundo, o motivo de tanta confusão quando duas pessoas que gostam uma da outra estão longe.

“The life that we chase, it feels like a race
To get to the place with the pride and the grace
It’s hard to replace the touch of your face
When you’re so far away”

Quase a terminar, quem não gosta de um ambiente sossegado após uma boa festa? “Elevators”, que praticamente se assemelha a uma afterparty do episódio agitado de “All In One Night”, proporciona isso mesmo – um dos ambientes mais tranquilizantes após um clima festivo, em que se relembram episódios.

No geral, indiscutivelmente, é uma versão bastante sólida da banda britânica, em ascensão em alguns países. Coloca-se, no entanto, a questão do seu sucesso ser apenas mais sentido no Reino Unido, ao qual K. Jones, em resposta à Rolling Stone, afirma: “I think if there’s a certain tribe of people that like the music I make, then I’m sure there’s certain tribes of people in every country”.

Classificação TDSessions: 7/10

Escrito por: Elisa Lamy

Editado por: Ricardo Marquês

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