The Desacordo Sessions: Há quem diga que o amor pode mudar o mundo… e a desilusão, não?

Com o seu timbre já característico, reconhecido por fãs e não fãs, que nos toca no ouvido e nos faz vibrar a cada nota musical, que nos faz sentir cada palavra dita pelo mesmo, cada música cantada e cada letra falada, é impossível não sentir o poder dos singles do cantor e não nos identificarmos com muitos deles.

Mais uma vez, e com o segundo álbum de estúdio lançado hoje mesmo, The Thrill of It All, voltamos a recordar o que é aquele friozinho na barriga de cada vez que aumentamos o volume do som na rádio do carro só para desfrutarmos de mais uma música da estrela, cantarmos ao seu lado e sentirmos cada palavra dita.

Após o seu último álbum The Lonely Hour, lançado em 2014, o autor volta a colocar, no seu mais recente “bebé”, com apenas algumas horas de vida, The Thrill of It All, todo o seu sentimento nas músicas que o compõem, carregadas de emoção e com o mesmo registo já característico dos restantes álbuns do cantor, dramático e expressivo.

Desta vez, foi o último desgosto amoroso do cantor, que culminou com o fim da relação, que fez nascer e deu vida ao álbum, que reflete literalmente a emoção de tudo (“The Thrill of It All”).

Too Good At Goodbyes, o single principal do álbum, reflete tão, mas tão bem a dor de Sam Smith e muito provavelmente de todos aqueles que passaram por uma situação semelhante e que já são “bons até demais a dizer adeus”, que se recusam a sofrer mais pelo ex-companheiro/a ou pelo menos escondem o sofrimento “And every time you hurt me, the less that I cry / And every time you leave me / The quicker these tears dry / And every time you walk out, the less I love you”.

 

O segundo single lançado foi Say it First em que o que se pretende que seja dito são as três famosas e tão desejadas palavras “I Love you”.

Segue-se One Last Song, que não, não é a última música do álbum mas sim a última música que o cantor fará acerca daquele em quem ele pensa, mas por quem é ignorado  so “Here’s one last song for you”.

Como quarto single, Midnight Train o cantor escolhe afastar-se da pessoa que ama, tendo as suas próprias razões, no comboio da meia-noite. O facto de ter escolhido a noite como cenário transmite-nos ainda mais a nós, ouvintes a melancolia da despedida.

Burning, iniciado com o primeiro verso acapella, apenas com a doce voz de Sam Smith, que salienta “I’ve been burning/ Such a burden/ This flame on my chest” e que prossegue ao som do piano que mais tarde, no mesmo verso, se alia ao gospel, é um single profundo mas não assim tão rico em termos de letra. No entanto, as vozes e construção musical são susceptíveis de nos provocar arrepios.

HIM, por seu lado, possui uma letra extremamente rica, constituindo-se ele próprio como um dos pontos altos do novo álbum. Neste é retratada a história de um rapaz, metaforicamente Sam Smith, que “sai do armário” e revela ao pai e a Deus, com receio, a sua sexualidade (“Holy Father, we need to talk / I have a secret that I can’t keep / I’m not the boy that you thought you wanted / Please don’t get angry, have faith in me”). Através deste single, que aborda um dos temas mais debatidos e criticados AINDA nos dias de hoje, Sam Smith procura afastar os olhares críticos da sociedade e reforça a incapacidade de mudar alguém que possui uma orientação sexual diferente da “desejada”.

Em sétimo lugar Baby, You Make Me Crazy, possui já um registo aparentemente mais animado devido ao próprio beat, no entanto, a letra remete-nos mais uma vez para a dificuldade de deixar de pensar naquele a quem o cantor intitula de “Baby”.

No Peace, não deixa de referir a temática principal do novo álbum, apenas conta com o acréscimo da colaboração de YEBBA, uma voz feminina e suave que é só a combinação perfeita com o timbre de Sam Smith.

Como nono single lançado, Palace, o cantor reflete sobre o fim da relação, e que apesar de tudo “the real love is never a waste of time”.

Numa vibe diferente, ao misturar vozes gospel com alguns registos de hip hop, temos o single Pray que reforça a desilusão e sofrimento associados à situação em causa.

No seguimento desse sofrimento e desilusão, em Nothing Left For You, fala-se do pensamento comum aos que se apaixonam e acabam por sofrer posteriormente, que alegam serem incapazes de se apaixonar novamente, intensificando o carácter dramático do próprio álbum.

O single que dá nome ao álbum The Thrill of It All, é também ele forte. Revela o quão cegos somos quando nos apaixonamos acabando por nos perder e perdermos o que tínhamos, pois somos “sugados” pela emoção.

Scars assim como HIM alerta para uma situação, infelizmente muito presente ainda na sociedade atual, neste caso para a infelicidade de muitas famílias. Pinta-se um cenário de violência comparado a um cenário de guerra, onde após a separação e o “seguir em frente” do casal  deixam de haver “slamming doors” e onde antes havia escuridão passa a reinar a felicidade – “Now the skies are clearer”. No entanto, nem sempre o cenário termina da melhor maneira, e é essa a mensagem que o cantor tenta transparecer.

Por último, One Day At a Time, fecha o álbum com uma mensagem de superação e de coragem perante tais situações de desgosto, aconselhando-nos a não nos esquecermos de quem somos (o que acontece frequentemente) e a deixarmos a nossa história para trás, taking it “One day at a Time”, isto é vivendo um dia de cada vez.

The Thrill Of It All e Sam Smith continuam a surpreender a legião de fãs, mantendo o mesmo registo, mas acrescentando sempre uma pitada de novo, misturando as típicas vozes gospel, numa vertente virada para o romance à qual o cantor já nos habituou.

Em cada álbum há algo novo e admirável em Sam Smith, desta vez, e à semelhança de outras tantas, o cantor alia às suas músicas uma vertente crítica da sociedade do século XXI, aparentemente evoluída, mas que no entanto e não se percebendo bem como, nem porquê, se encontra ainda longe disso.

Tudo isto é Sam Smith e tudo isto é o que o cantor provoca em nós quando o ouvimos!

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Escrito por: Inês Mestre

Editado por: André Blayer

 

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