O Doutor da Paz visita a FEUC

Johan Galtung põe Coimbra a estudar a Paz durante uma manhã

Na última quarta-feira (23 de outubro de 2017), o professor norueguês, Johan Galtung, fundador dos Estudos sobre a Paz, visitou a Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, para presentear as alunas e os alunos da FEUC com uma aula aberta sobre a área de estudo que desenvolveu.

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(Re)conceptualizing Peace Studies as a research project: challenges and opportunities, foi o título da sua palestra. Eram tantas as pessoas presentes para o ouvir, que a organização do evento teve de convidar as interessadas para assistir à palestra num auditório maior. Nesta palestra estavam presentes quatro representantes do ISCSP, dois alunos de Relações Internacionais, um deles colaborador do desacordo, e dois professores de Gestão de Recursos Humanos.

Johan Galtung. Nasceu em 1930, em Oslo, é matemático, sociólogo, politólogo, criador da disciplina dos Estudos sobre a Paz e fundador do International Peace Research Institute (1959), bem como do Journal of Peace Research (1964), tendo ajudado a criar dúzias de centros de Estudos sobre a Paz pelo mundo, é o autor de mais de 1600 artigos e mais de 160 livros sobre a teoria da paz e do conflito. Galtung foi o mediador de mais de 150 conflitos entre Estados, nações, religiões, civilizações, comunidades e pessoas desde 1957. No que toca às suas contribuições para as ciências sociais, refere-se a conceitualização do termo peace-building, a teoria da paz negativa e da paz positiva, a teoria da violência direta e da violência estrutural, entre outras.

Galtung começou a palestra por dizer que a abordagem legal não é a mais correta para a paz, uma vez que esta apenas nos diz o que não fazer. Segundo ele, existem dois tipos de paz: a negativa, que relaciona-se com a não existência da guerra; e a positiva, que diz respeito à construção de boas relações. O norueguês afirmou que a violência não é apenas direta, mas também estrutural. A primeira refere-se à agressão feita a alguém incluindo a nós próprios; a segunda relaciona-se com a violência que é quase “institucionalizada”. Para explicar melhor a violência estrutural, o professor utilizou o exemplo do capitalismo, um sistema bastante perverso para os menos privilegiados, e o sistema socialista da União Soviética, em que os indivíduos viviam privados de liberdade e cheios de incertezas sobre o que era o Comunismo, sendo que o partido único, de forma vaga, definia-o como “algo que está no horizonte”.

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Nesta aula aberta, o fundador dos Estudos sobre a Paz, definiu os conceitos de violência – agressão a alguém e a si próprio – e de conflito – incompatibilidade de objetivos entre partes. Após apresentar estes conceitos, Galtung explica-nos que para nos livrarmos da violência, devemos olhar para as entrelinhas de um conflito e dos traumas que este deixou. Após explicar o método de resolução dos traumas, o professor responde à pergunta: Como resolver um conflito? Segundo Johan Galtung, devemos começar por mapear o conflito, perguntando às partes envolvidas como elas idealizam o lugar onde vivem. De seguida, passamos para o processo de legitimação, que passa por conhecer as justificações das ações dos envolvidos. Finalmente, entramos na fase da construção de pontes entre as partes envolvidas, na qual devemos perguntar às partes sobre a realidade atual em que vivem, para que então possamos pensar na conciliação dos seus respetivos objetivos.

Ao concluir a sua palestra, o professor norueguês aconselhou-nos a identificar os bons motivos das partes envolvidas num conflito para que possamos entender as razões que movem as suas ações. Galtung afirma que, nos conflitos, as partes envolvidas têm, pelo menos, um bom motivo que justifica as suas ações, deste modo, a culpa não pode assentar apenas numa das partes.

No fim da palestra, um dos professores da FEUC anuncia que, no dia seguinte, Galtung terá os seus oitenta e sete anos de vida completos. Este mesmo professor surpreendeu-nos ao referir a coincidência de que o fundador dos Estudos sobre a Paz e a Organização das Nações Unidas (ONU) partilham da mesma data de aniversário, 24 de outubro.

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Escrito por: Marcelo Yamada

Editado por: Ricardo Marquês

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