Obrigado, Pedro!

A política portuguesa sofreu hoje um efetivo abalo com o anúncio de abandono do líder do Partido Social Democrata e ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Num momento em que a oposição (interna e externa) aproveita para sair da “concha” e desvalorizar politicamente Passos Coelho, gostava de, a título pessoal e enquanto cidadão português, deixar um marcado agradecimento a um dos melhores estadistas democráticos que o nosso país conheceu. Ficará para sempre definido na História de Portugal quem foi o primeiro-ministro que pegou num país à beira do fim e o reergueu, com uma austeridade imposta por um memorando de entendimento assinado pelos três maiores partidos do círculo eleitoral português, causado, em grande medida, pelo aumento de 90 mil milhões de euros de dívida pública entre 2005 e 2011.

Pedro Passos Coelho foi primeiro-ministro quando ninguém o quis ser. Assumiu controlo num país com um défice de 11% e deixou-o (embora sem que essa tenha sido a vontade popular) com 3%. Outros, hoje, vivem do trabalho que o mesmo liderou. Sem dúvida que é fácil acusá-lo de “austeridade desmedida”, de ter ido “além da troika” ou até que tinha gosto em taxar os portugueses.

Foi a governação de Pedro Passos Coelho e do seu governo que permitiu arrecadar uma folga orçamental para que o futuro fosse mais estável. Errou algumas vezes, é certo, porque o ser humano assim é caracterizado. Mas uma referência é impossível que alguém lhe retire: foi Primeiro-Ministro numa das alturas mais difíceis da História do Portugal democrático. Foi, depois de Francisco Sá Carneiro, quem liderou durante mais tempo o maior partido português. E foi quem, à semelhança do mesmo, deu mais esperança da existência de um verdadeiro estadista no nosso país.

Hoje, e sete anos depois de ter chegado à liderança de um partido (na altura na oposição), abandona o cargo, depois de duas vitórias em legislativas, que já não acontecia para o PPD-PSD desde os anos 90, quando fora Cavaco Silva a ganhar as duas eleições legislativas seguidas. Sete anos depois, cinco dos quais no poder, Pedro Passos Coelho, com todas as suas vicissitudes latentes e com todos os seus defeitos, terá de ser recordado por todos nós como um estadista exímio, como uma pessoa resiliente, que “nunca abandonou o seu país” e que soube dar a volta ao mesmo e a todos os problemas que advieram da sua governação. Nunca vendeu ilusões e isso, na classe política, é sempre louvável.

Obrigado pela honestidade, frontalidade e coragem com que comandou o nosso país. Fica a lembrança de uma figura política distinta, de uma postura irrepreensível, que nunca se deixou levar por caminhos grosseiros ou menos agradáveis, como muitas vezes a classe política nos habitua, e que, não separando a sua vida profissional/política da pessoal/familiar, nos deu uma lição de como ser um bom marido (a braços com a doença prolongada da sua mulher) e simultaneamente ser ultra-pressionado pelos cargos que lhe exigiam resistir sem atirar a toalha ao chão. Fica o exemplo para as gerações sociais-democratas vindouras, que se espera serem mais à semelhança de Pedro Passos Coelho do que propriamente dos “Barões” do PSD.

No fim de contas, com austeridade ou não, resta agradecer por todo o serviço prestado ao nosso país.

“Não vou abandonar o meu partido, mas também não vou andar por cá a rondar” (Pedro Passos Coelho, 3 de Outubro de 2017)

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

mt.php_-679x350.jpeg

Escrito por: Filipe Lima

Editado por: Daniela Carvalho

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s