Apadrinhar crianças corre-lhes no sangue

7

Margarida Afonso junto de crianças ajudadas pela Um Pequeno Gesto

Esta quinta-feira, dia 31 de agosto, comemora-se o Dia Internacional da Solidariedade. Por essa razão fomos conhecer Margarida Afonso que, ao longo de dez anos, já apadrinhou oito crianças de Moçambique.

Foi através de uma reportagem numa revista que Margarida Afonso, 52 anos, residente em Castelo Branco, descobriu que era possível apadrinhar crianças à distância, contribuindo para a sua educação e alimentação. Há cerca de dez anos conheceu a associação “Um Pequeno Gesto (UPG)”, uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD), sem fins lucrativos, que actua na Província de Gaza, em Moçambique, desde 2004.

“Dei conta que tinham sede numa escola onde tinha andado e a partir daí fez-se um clique. Senti-me compelida a ajudar”, revelou ao desacordo Margarida Afonso, que nasceu em Moçambique. A escola em causa é a Escolinha do André, em Xai-Xai, assim chamada por ter tido o apoio de um diplomata com este nome.

2

Margarida Afonso e o seu marido com os seus três afilhados, Atália e Angelina Uamusse e Sebastião Langa. Atualmente apadrinham apenas as duas irmãs orfãs

Margarida, professora universitária, sempre apadrinhou em conjunto com o marido. E o seu exemplo passou para os dois filhos: Marta, de 20, e José Pedro com 27 anos, seguem-lhes os passos e, juntamente com o primo de 17 anos, apadrinham uma criança.

“Costumam juntar o dinheiro entre eles ao longo do ano e depois doam-no à organização. Para além disso, o meu filho mais velho doa à UPG 0,35 cêntimos por cada jogo vendido pela sua empresa, a Science Track”, explica. Parece pouco, mas 35 cêntimos paga a alimentação de uma criança durante um dia naquela escola.

Uma anuidade de 140 euros garante a educação e alimentação da criança apadrinhada. “O valor pode parecer elevado, mas se fizermos as contas fica a 0,30 cêntimos por dia”, aponta a madrinha.

A partir daí os padrinhos recebem as avaliações das crianças (anual, semestral ou trimestralmente),  verificando a evolução da sua aprendizagem. É-lhes ainda entregue, pelo Natal e pela Páscoa, um postal dos afilhados. “Quando recebo os postais deles é qualquer coisa de muito tocante. Vêm sempre com pequenas frases como ‘Olá padrinhos’, ‘Boas festas’ ou ‘Muito obrigada’. São cartas muito simples, mas que têm muito significado”, declara Margarida Afonso. “O retorno é muito maior do que se dá”.

Há dois anos que o casal apadrinha duas irmãs orfãs, Atália e Angelina Uamusse, de quatro e oito anos respetivamente.

Em Junho de 2012, o casal fez uma visita à Escolinha do André. Um dia levaram os afilhados à praia, sendo que na altura tinham mais um afilhado, o Sebastião Langa. “Para se ter noção da pobreza que se vive em Moçambique, eles nunca tinham visto à praia, apesar de viverem a poucos quilómetros. Vê-los comer e correr pela praia fora, com uma felicidade imensa, é indescritível. Aquelas crianças têm alimento e educação por nossa causa”, salienta.

5

Margarida Afonso no primeiro dia em que leva os afilhados à praia

 

É com essa pobreza extrema que justifica o seu apoio a crianças em Moçambique em detrimento de Portugal. Margarida explica que “pouco ou muito, em Portugal temos estruturas de apoio e em Moçambique isso não existe. A mais pequena coisa que damos a uma criança de Moçambique faz uma diferença enorme”. Acrescenta ainda que a UPG “sempre mostrou imensa transparência” quanto ao seu trabalho, enfatizando que todo o apoio vai de facto para as crianças. “Vi o trabalho no terreno e não é possível fazer mais com os recursos que têm”, afirma.

Mais de mil crianças apadrinhadas

Em Portugal, há várias ONGD que se dedicam ao apadrinhamento de crianças em África. Dados recolhidos pelo desacordo junto de cinco associações, nas quais encontramos a UPG, a SOPRO, a Helpo e a Missão Saúde para a Humanidade, permitem concluir que de momento estão em curso 4640 ações de apadrinhamento.

A UPG contribui para este número com 877 crianças apadrinhadas. Trabalha na Província de Gaza, em Moçambique, desde 2004. O seu principal objetivo é, através de projetos de apadrinhamento, retirar as crianças desta área do limiar de pobreza, providenciando depois educação de qualidade. A anuidade paga a educação, uniforme, cuidados de saúde e material escolar da criança, bem como uma Cesta Básica com bens de primeira necessidade para a sua família. Ao longo dos anos, a UPG já levou a cabo projetos de educação que vão do pré-escolar a bolsas universitárias e cursos técnicos, providenciando ainda salas de apoio ao estudo e alimentação escolar diária. De momento todas as crianças da área de atuação desta instituição se encontram apadrinhadas, no entanto, ainda podes ajudar! Visita a página da UPG e descobre como podes contribuir para esta causa.

Fotos cedidas por Margarida Afonso

Escrito por: Carla Nunes

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s