Conhecer Portugal – Castelo Rodrigo

O desacordo nunca vai de férias mas não deixou de conhecer Portugal. Desta vez, rumo ao distrito da Guarda, mais propriamente ao concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, que acolhe no seu ponto mais alto a Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo.

 

À vista está a serra da Marofa e, lá em baixo, a vila de Figueira de Castelo Rodrigo estende-se pelos terrenos de amendoeiras e oliveiras. Ao longe, a aldeia de Escalhão. É esta a panorâmica do Castelo Rodrigo, rodeado de muralhas e passado histórico das relações luso-castelhanas.

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O início da construção do Castelo remonta ao período da reconquista aos árabes e à necessidade de controlo do território português, através da reorganização e povoamento das áreas fronteiriças.

No início do séc. XII, no reinado de D.Afonso IX, rei de Leão e Castela, Castelo Rodrigo foi elevado a vila. Anos mais tarde, em 1297, D.Dinis assinou o Tratado de Alcanizes, que integrava o concelho no território português, ordenando a reconstrução e povoamento de Castelo Rodrigo.

No séc. XVI, já durante o domínio filipino, surge a figura de Cristóvão de Moura, um diplomata e administrador da vila que se tornou confidente da realeza espanhola e um elo de ligação entre os dois territórios vizinhos. Os reis D.Filipe II e o seu sucessor D.Filipe III, durante os seus reinados, elevaram Cristóvão de Moura a conde e marquês, e foi-lhe consequentemente permitida a construção de um palácio para sua ocupação e lazer em Castelo Rodrigo.

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No entanto, a governação de Cristóvão de Moura sobre a vila tornou-se motivo de revolta e contestação por parte da população, que o associava à regência filipina. Do mesmo modo, o próprio rei D.João I de Portugal ordenou a inversão do brasão de Castelo Rodrigo, tornando-se este um sinal de punição para com Cristóvão de Moura. Após a Restauração da Independência Portuguesa em 1640 a população incendiou e destruiu o Palácio dos Moura, fazendo ruir o símbolo da presença castelhana naquela terra.

Durante os confrontos com Espanha, destaca-se a importante Batalha da Salgadela, em 1664, quando o Duque de Ossuna e D.João d’Áustria, com um conjunto de 150 homens, travaram as forças espanholas de entrar em território português, junto ao Mosteiro de Santa Maria de Aguiar. Reza a lenda que Nossa Senhora segurou as balas espanholas numa cesta, auxiliando a vitória por parte da armada portuguesa.

Já no séc. XIX, no reinado de D.Maria II, Castelo Rodrigo deixa de ser sede de concelho, passando para Figueira de Castelo Rodrigo.

A Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo encontra-se muralhada e conserva nela antigas casas e construções árabes e manuelinas, assim como vestígios da presença romana e da época medieval.

O valor monumental é reconhecido através da conservação das antigas muralhas, das ruínas do palácio de Cristóvão de Moura, com estilo gótico e a presença do brasão armado de Castelo Rodrigo, um pelourinho manuelino que demonstra o poder municipal e judicial do rei, uma cisterna medieval de estilo gótico e mourisco e a Igreja de Nossa Senhora de Rocamador, que remonta ao séc. XIII e assinala um ponto de passagem na rota de peregrinos do caminho de Santiago de Compostela. Para além disso, existem a Torre do Relógio, o arco principal e uma janela de estilo manuelino.

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Por Castelo Rodrigo passaram também importantes figuras históricas, como João de Gouveia, que era avô de Pedro Álvares de Cabral, o descobridor do Brasil, o Conde de Marialva e o Infante D.Fernando, filho de D.Manuel I. Também se encontra a inscrição da passagem de José Saramago, em 2009, que celebrou a presença nesta terra no seu livro “A viagem do elefante”.

Atualmente, residem cerca de 50 pessoas entre as muralhas de Castelo Rodrigo. Entre as habitações existem postos de turismo e lojas de artesanato e velharias, destacando-se a visita às ruínas do Palácio dos Moura e ao Salão de Chá e Café, que produz artesanalmente amêndoas da região com especiarias, mel, doces, vinhos e licores.

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Fica a certeza de que entre muralhas reside ainda muita história para ser recontada nesta aldeia de Castelo Rodrigo, que se fotografa a si própria na paisagem imensa característica desta região.

 Escrito por: Ana Mendes

Editado por: Daniela Carvalho

 

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