Portugal, chega-te só amar por um

Um mês passou desde a grande vitória do nosso querido Salvador Sobral no Festival Eurovisão da Canção. O país ainda se encontra em estado de choque, quase que paralisado e escandalizado, talvez culpabilizando-se também um pouco por nunca ter acreditado que uma música tão limpa e calma, sem os habituais “fireworks” que caracterizam as canções concorrentes do Eurovisão, pudesse ganhar o festival. O povo português é assim, desconfiado. Raramente acredita no valor que tem. Outra prova disso (para além da vitória no Eurovisão) é a vitória conquistada pela seleção nacional no Euro 2016, algo que, apesar de ter acontecido há um ano, é ainda motivo de orgulho. Será que estas duas vitórias (não desvalorizando todas as outras conquistas noutras modalidades) serão suficientes para finalmente aumentar o ego português? Serão suficientes para o Zé Povinho deixar de duvidar das capacidades do seu próprio país? Quantas mais medalhas, diplomas, títulos e prémios serão precisos ganhar para nos considerarmos uma nação forte o suficiente, capaz de se equiparar a uma França, uma Alemanha ou uma Espanha?

Como o Salvador há muitos outros. Muitos nomes na música portuguesa que, infelizmente, ainda não recebem o devido valor. Falo de muitos outros que, apesar de terem o talento, não têm o reconhecimento. Artistas que dão muito ao país, mostrando que temos realmente talentos com o poder de enriquecer a nossa cultura, elevando cada vez mais o nosso nome, muitos que fazem até tours europeias, mas que cá em Portugal, por alguma razão que me é alheia, não recebem o devido destaque. O Salvador veio demonstrar que “a música não é fogo de artifício, a música é sentimento”, e, realmente, fez jus ao seu nome, como que salvando-nos de um mundo carregado de “música descartável”.

Logo a seguir a Eder nos ter dado o Europeu, Salvador dá-nos o Eurovisão (#SalvEder), provando-nos que até o mais pequeno pode ser grande, provando-nos que somos um país com capacidades maiores do que imaginamos, provando-nos que o que nos falta é confiança e segurança. Temos cada vez mais motivos para nos orgulharmos de Portugal, e se o que foi já aqui referido não é suficiente para tal, os constantes destaques recebidos de variadas revistas e jornais conceituados, quer seja para elogiar os nossos vinhos, as nossas cidades, as nossas paisagens, ou até mesmo a nossa gastronomia, deverão bastar para percebermos de uma vez por todas a nossa grandeza.

Portugal está a crescer a olhos vistos, e, por agora, não precisamos de mais provas disso.

Escrito por: Daniela Carvalho

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