Ser caloiro…

Acabei agora o meu primeiro ano de faculdade. Em jeito de brincadeira, posso dizer que para o ano levo mais amigos do que cadeiras feitas. Mais a sério agora, alguém consegue sequer definir a praxe ou o que é a praxe (vá, exceptuando a excelentíssima veterana e presidente da CPISCSP, Filipa Teixeira)? Não, a sério. Todas as palavras que possam ser usadas são parcas, por mais bem estruturado que esteja um texto, uma descrição numa foto do Instagram, ou até mesmo um artigo de jornal, ninguém parece saber definir a praxe. Isso é bom, mas permitam-me dar o meu ponto de vista:

Ser caloiro é como ser acolhido numa família que nem todos têm a sorte de pertencer, ainda para mais numa faculdade como o ISCSP, onde a praxe é levada a sério e com integral respeito.

Mas qual é o sentido das flexões? Mas qual é o sentido dos eternos “olhos no chão!” ou “não ri!”? Mas qual é o sentido de estarmos hierarquicamente abaixo de outrém? Estas são as críticas que mais vezes são dirigidas à praxe académica.

Pois bem, a praxe em si, é uma espécie de “ritual” de iniciação e como em várias, chamemos-lhe, “associações”, há pessoas acima de nós a quem temos de prestar respeito e obediência. Mas qual a diferença para todas essas outras “associações”? Enquanto somos mandados ao chão, enquanto fazemos 10, 20, 30 flexões só penso em duas coisas: primeiramente no facto de não ser só eu ali a esforçar-me mas sim um coletivo, todo um grupo que ali está para o mesmo e que se tornarão mais tarde numa família. Posteriormente o belo momento de término da praxe em que estamos todos em pé de igualdade, nem mais nem menos que simples amigos que combinam uma cerveja de fim de tarde na faculdade de arquitetura ou no Cedar.

É por isso que digo várias vezes que o objetivo da praxe de integrar os caloiros no seio académico é cumprido dentro e fora da praxe. É dentro dela que descobrimos verdadeiros exemplos da própria praxe mas bem como exemplos de pessoa e de líderes, e muito importante, de reais companheiros (falo da praxe de sociologia pois foi a única que vivenciei). Mas é fora dela que podemos conviver com pessoas mais novas, mais velhas ou da nossa idade desde o primeiro dia (literalmente) da faculdade até aos dias de hoje. Quem é que se pode queixar de não ter feito amigos na praxe? Acho que ninguém, pois é um pouco impossível devido às atividades que nos são destinadas.

Doutra perspectiva agora. Já sabemos o quão sensionalista adora ser a nossa comunicação social, exagerando (quase) sempre quando é noticiado algum ato menos bom e menos digno da praxe. Mas se somos verdadeiramente independentes e se não somos influenciados por meios de comunicação temos de abrir os olhos e olhar à nossa volta, julgar as coisas que vemos e não as que nos mostram.

Convido qualquer pessoa a assistir a uma praxe ISCSPiana para perceber o que é uma praxe académica digna do nome que representa. A vocês, ISCSPianos anti-praxe (não é a quem não pode ou não quer por razões fundamentadas, anti na verdadeira essência da palavra) só vos pergunto: podem acusar a praxe ISCSPiana de algum ato desrespeitoso, ofensivo, agressivo ou demais adjetivos negativos? Não, como também não podem apontar características positivas, porque nunca lá foram.

Ninguém é obrigado a ir à praxe, tudo bem, mas também não podem falar do que não viram nem julgar o que não viveram, pois isso é contribuir para as falas de má língua que tanto tramam a praxe académica. Não é pela atitude de uns que este evento passa a ser crime assim como não se faz da exceção a regra.

A praxe é amizade, integração, respeito, diversão, zelo, integridade e acima de tudo uma tradição que em anos foi tão honrada como ainda o devia ser hoje, que ainda é, no ISCSP. Saudações de um caloiro que para o ano estará a praxar e que nunca fará aos outros o que não gostou/gosta que lhe fizessem/fazem a ele.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Bruno André

Editado por: Adriana Pedro

 

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