Dois Dedos de Música com The Zanibar Aliens

“Se mandares um prego, por mais horrível que seja, repete essa nota duas ou três vezes. As pessoas vão achar que era de propósito. Qualquer coisa diz que é jazz.” E não poderiam estar mais certos, em conselhos e em música.

O desacordo foi conhecer The Zanibar Aliens, que “à boa moda dos anos 70” oferece à música portuguesa o rock clássico e a espontaneidade que caracteriza o trabalho da banda. Composta por cinco elementos, entre eles Carl Fernandes que dá voz aos temas e dedos ao teclado; Filipe Fernandes e Martim Seabra nas guitarras e no baixo o Ricardo Pereira; já na bateria e na percussão está Diogo Braga, que marca ritmo à vivacidade das melodias.

O nome da banda era também o nome de utilizador que Carl Fernandes usava num jogo de computador – “achámos forte o suficiente para se tornar no nome do grupo” confessaram. E porque não? “Is it a crime”? Assim ficou.

Este ano foi lançado ao espaço o novo álbum – “Space Pigeon”, que traz de volta a “sonoridade fechada de estúdio à anos 70”, com a guitarra a transparecer o resto dos instrumentos e a essência dos álbuns de rock com variadas influências. Daí o conceito da banda não ser concreto ou específico, mas antes ser marcado pelas vivências em comum de todos e entre todos. Será por isso que reconhecem estar de acordo quanto aos momentos mais épicos e especiais, que se refletem no “Space Pigeon” com os temas “Rejoice” e “No One Shows”.

16142552_1415624395123253_3748570611774342167_n

Fotos retiradas da página de Facebook “The Zanibar Aliens”

A vontade de gravar surge em Novembro – “decidimos que era completamente imperativo irmos a Inglaterra gravar um disco (…) era só uma questão de tempo até irmos para lá, de modos que, em Janeiro, pegámos nas nossas malas e arrancámos”, reconheceu a banda.

O “Space Pigeon” aconteceu em menos de dois dias, sendo que “ao todo foram 21 horas de gravação, com overdubs e afins”. A espontaneidade do álbum realça de novo a autenticidade e fluidez com que os Zanibar Aliens produzem música. “Devíamos de ter cerca de 40% do álbum feito quando chegamos lá, visto que ainda tivemos que ensaiar partes dos temas que ainda estavam incompletas”, realçaram. Para consolidar a obra de arte não faltou “o cliché dos clichés de escrever letras num quarto de hotel ranhoso!”. Foi também essencial a ajuda do técnico de som André Pires, o culpado pela edição, mistura e masterização do projeto, e Alex Cortez que realizou o documentário “Sort Of A Documentary” sobre a estadia da banda na cidade de Eastleigh.

Até agora a reação ao novo disco “está a ser completamente positiva”. Antes do concerto de apresentação do disco, no passado dia 28 de Abril, no Titanic, destacam algumas aparições alienígenas marcantes, como em Évora no espaço SHE com “uma resposta do público perfeita”, a participação no Mexefest em que tocaram no renovado Teatro Capitólio em ambiente rock clássico e sem dúvida a visita ao Festival Paredes de Coura em 2014. A banda não descansa em Junho, com concertos a anunciar na região do Minho.

16265871_1419444284741264_12765119319982397_n

O antecessor deste projeto é igualmente uma bela vista para os nossos ouvidos. Falamos do álbum “Bela Vista”, este de 2016, que coloca em confronto o rock alternativo e toques de blues. Estreou-se com o tema “Bongsmoker” que revela a essência do rock, e aproxima-se do fim com “Mother Nature’s Son” e “Far from Home” na busca pelo folk.

Relativamente à indústria da música não há nada a esconder, “nós não temos um contrato com ninguém, desde editora ao agenciamento, de modo que maioritariamente fazemos tudo sozinhos”, afirmam. A autonomia que assinala o comportamento da banda no mercado da música deixa responsabilidades aos elementos não só na edição dos discos mas também na agenda de convites para festivais e marcação de concertos.

Em jeito inspirador os Zanibar Aliens deixam um incentivo aos jovens músicos encorajando a que “peguem nas guitarras e toquem, não gastem dinheiro em pedais antes de saberem usar os vossos amplificadores e tirarem o som que vocês querem sem eles, (…) Ou então façam o que vos apetece, nós também velhos não somos! Ah!”. Deve ser esta a “Key to Happiness”, fazer música com despretensão e originalidade.

A escolha da redatora:

Deixo a música “No One Shows” do novo albúm “Space Pigeon. É um transporte incrível ao subconsciente de um dia de chuva e uma janela embaciada. As vozes e a acústica entregam à letra a poética que a caracteriza. É o total desprendimento e a essência da autenticidade. Para mim é Zanibar Aliens.

Consulta aqui a página de facebook e o novo álbum digital “Space Pigeon“.

Escrito por: Ana Mendes

Editado por: André Blayer

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s