Artista recria os horrores dentro das instalações de “terapia de conversão”

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Paola Paredes

A fotógrafa Paola Paredes chamou a atenção dos media com o seu poderoso projeto de fotografia experimental Unveiled (“Desvendado”), no qual documentou o momento em que assumiu, aos 28 anos, a homossexualidade perante os seus pais.

Aos 31 anos, Paola quis ir mais longe, com o seu novo projeto Until You Change (“Até Tu Mudares”). Através dele a artista reencena o dia-a-dia de tortura nas instalações equatorianas, que têm como fim “curar” a homossexualidade das formas mais brutais.

Apesar de ter crescido no Equador, Paola Paredes só descobriu as “Clínicas de des-homosexualização” quando um amigo lhe falou sobre as mesmas, há quatro anos atrás. As clínicas estão escondidas por trás de uma fachada de reabilitação de droga e álcool, por todo o país, para onde alguns equatorianos LGBTQ+ são levados contra a sua vontade, de modo a serem “curados”. Neste espaço são sujeitos a tortura emocional e física, através da alimentação forçada, espancamentos e mesmo violação “corretiva”.

“Lembro-me de estar completamente horrorizada”, afirmou a artista depois de ter ficado horrorizada ao descobrir a realidade das clínicas de conversão. “Naquela altura eu ainda não tinha assumido perante os meus pais, então tinha medo que isso pudesse acontecer comigo.”, disse.

Quando assumiu o projeto, Paredes não sabia como retratar a tortura dentro das clínicas. Então decidiu que precisava de encontrar vítimas que estivessem dispostas a contar-lhe os horrores que viveram. Devido à proibição de câmaras dentro dos estabelecimentos e sabendo que aquela poderia ter sido também a sua história, a artista decidiu protagonizar o seu projeto fotográfico, representando o abuso sofrido pelas mulheres que entrevistou ao longo de seis meses.

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Paola Paredes

“Muitas pessoas não sabem que essas clínicas existem, não é falado”, disse Paredes. Uma declaração no seu site estima que cerca de 200 clínicas de reabilitação e droga do Equador hospedam em segredo clínicas de terapia de conversão. No entanto a artista alega que grupos de ativistas no país afirmaram-lhe que esse número se aproxima dos 300. O número exato seria impossível de saber, pois as clínicas de conversão situam-se em áreas rurais.

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Paola Paredes

“Foi muito difícil descobrir como tornar as imagens autênticas, muitas das imagens são violentas e horríveis”, disse Paredes. “As imagens que vês estão realmente a acontecer, vês-me mesmo a passar por isto”, afirmou a artista, “Eu estava a ser eu mesma, estava a ser presa. As cenas são reais – eu fiz-me passar por aquelas emoções. Após ter feito aquelas cenas passei dois meses a precisar de acompanhamento terâpeutico”.

A artista pretende mostrar o que nunca foi suposto ser exposto, como a perversão de comprimidos e livros de oração; o regime de feminidade forçada através da maquilhagem, saias curtas e saltos altos; tortura por uma corda ou luvas de borracha; e mesmo a violação “corretiva”.

“Muitas dessas clínicas tentam ter papéis de género tradicionais para homens e mulheres – se aprender a colocar maquilhagem e aprender a comportar-se como uma mulher adequada, então talvez pare de ser lésbica”, disse Paredes. “Por outro lado, há este tipo horrendo de tratamento, uma tortura física e emocional horrível.”

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Paola Paredes

“Nem as leis nem os protestos mudaram as atitudes do meu país e até que a sociedade equatoriana possa aceitar o direito humano à sua orientação sexual e / ou identidade de género, só resta essa chamada doença que eles tentarão curar.”

Paredes não sabe ao certo qual o seu próximo passo. “Eu tive uma ideia muito ingénua quando comecei este projeto, que ia fechar as clínicas”, afirmou a artista, “Agora percebo que fechá-las é impossível.” Como estão tão escondidas, Paredes não vê como podem ser completamente eliminadas.

A artista sente que ainda não acabou o seu percurso fotográfico e que há ainda um terceiro capítulo por vir. Depois de Unveiled e Until You Change pretende focar-se na educação.

Veja aqui o projeto completo.

Escrito por: Maria Janeiro

Editado por: Adriana Pedro

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