Dois Dedos de Música com ROQUE

A rubrica “Dois Dedos de Música” vem esta semana mostrar que o rock está em todo o lado, até no apelido.

O recente álbum, lançado em Fevereiro deste ano, já ansiava por uma entrevista.

Falamos de “ROQUE”, e de rock também. Um projeto de estreia do músico e guitarrista João Diogo Roque que, em conjunto com os músicos João Capinha, Xico Santos e David Pires, chegou ao mercado do rock português.

“O álbum é puro ROQUE”, no sentido em que transparece a essência das composições musicais, tornando-se este um projeto pessoal e “self-titled”. A vontade de avançar com o CD foi um bichinho que foi crescendo nos últimos anos e a concretização do disco resultou “numa inevitável cristalização da música com a qual estou satisfeito”- confessa João Roque – “ é preciso gravar para seguir em frente”.

É nesta motivação que se encontra a essência do projeto, e toda a fusão de vontades e concretizações resultou numa mescla de estilos e influências, sempre com o rock bem presente. Afinal, o apelido “acaba por ser uma feliz coincidência”, afirma.

Os temas surgiram de forma despretensiosa e crua, com a guitarra nas mãos e o desejo de realizar canções com forte componente imagética. A estética das músicas aproxima-se do folk, rock e também jazz. Destaca-se a particularidade da improvisação em todos os temas, o que atribui fluidez às melodias.

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Cada música tem uma história, e é por esse motivo que se torna difícil selecionar uma favorita. “Por detrás da música há algo que a despoletou: um momento, um quadro, uma pessoa, um encontro…” revelou o músico. Será por isso que destaca a música “SUL”, que cresceu numas férias de verão com a namorada na costa vicentina. Já a “MARIA”, uma música de embalar, foi em jeito de comemorar o nascimento da filha de um casal amigo. O quadro surrealista de Dalí “Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha ao Redor de uma Romã um Segundo Antes de Acordar” deu mote para criar uma música com o nome do pintor.

O feedback dos ouvintes “tem sido muito positivo”, tanto em Portugal como no estrangeiro. O site americano Bird is the Worm fez uma crítica positiva ao disco e mostrou-se atento ao que de novo se passa na música rock. Uma das rádios americanas, ART X FM incluiu temas do ROQUE no programa “Mingle”, dedicado a edições de música jazz.

Em Portugal a Antena 1, Antena 2 e Antena 3 já passam o bom rock português e até nos Açores e em Coimbra se fazem ouvir as melodias. “Têm recebido o ROQUE de braços abertos e divulgado a minha música, permitindo assim alcançar um público vasto” conclui João Roque. Mesmo nos concertos de lançamento e apresentação do CD, o feedback é visível ou, neste caso, audível.

Passou praticamente um ano, desde a entrada nos Estúdios Vale de Lobos até à conclusão física do CD, mas “é claro que não foi um ano a trabalhar diariamente para isso, mantenho a minha atividade profissional como professor e músico noutros projetos, que me ocupam muito” confessa o músico. No entanto, o projeto arrasta-se há mais tempo, com a criação e composição dos temas para levar a estúdio – “só isso foram mais uns dois anos!”.

O mercado da música é um constante desafio e “um mundo complexo” composto não só por músicos mas também por produtores, editores, críticos e, sobretudo pelo público. João Roque observa uma rápida e constante mudança na música, afirmando “Eu tenho 33 anos mas ainda sou do tempo em que se compravam discos, tenho uma coleção de que me orgulho muito em casa. Hoje em dia muitas pessoas já nem têm leitor de cds em casa (…) as plataformas digitais proliferam e os proveitos que advêm dos downloads ou streaming das músicas para os artistas são ridiculamente residuais.” Para o lançamento de um novo projeto musical, “é necessário investir muito dinheiro e é difícil recuperá-lo”, reconhece João. A divulgação dos discos é também um processo difícil e demoroso, passando muitas vezes por fases de extrema inquietação por não existir feedback por parte das editoras, críticos e até mesmo do público. “É preciso muita persistência” revela o músico.

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fotos retiradas da página de faceboook ROQUE

Para finalizar a entrevista, ficou uma mensagem de incentivo aos jovens músicos para que estes “estudem e reúnam técnica e conhecimentos teóricos”. Desta forma é possível compreender a música na sua verdadeira essência. “Ouçam muita música diferente e procurem depois exprimir as vossas próprias ideias musicais. Criar música nova é muito estimulante” e pode fazer surgir motivação e coragem para mostrar o que há de novo para oferecer.

E não só de rock se faz o ROQUE, mas também de força de vontade, dedicação e o desejo de partilhar música com o mundo. Afinal o que de bom se faz no rock em Portugal está aos ouvidos dos mais atentos.

A escolha da redatora:

Destaco a música SUL, pela acústica calma e envolvente. Parece uma melodia de despertar, a banda sonora de um filme ou a música ambiente perfeita para um café ao final da tarde. O SUL faz-se acompanhar de um videoclip monocromático com uma fusão de imagens. É sem dúvida um reflexo de toda a essência do ROQUE.

Consulta aqui:

Álbum digitalhttps://joaoroque.bandcamp.com/releases
Página de facebook: https://www.facebook.com/joaoroquemusic/?fref=ts

Escrito por: Ana Mendes

Editado por: Isabel Vermelho

 

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