The Desacordo Sessions: “More Life”, o novo não-álbum de Drake

Uma lufada de ar fresco bem necessária, a nova playlist do cantor canadiano, Drake. More Life (o título deste não-álbum/não-mixtape), é assim lançada menos de um ano após o lançamento de Views, o seu álbum anterior que só celebra o primeiro aniversário dia 29 de abril.drake

Este novo projeto, que conta com 22 músicas e features de nomes como Jorja Smith, Sampha, Travis Scott, 2 Chainz e até mesmo Kanye West, é quase que uma correção a Views, demonstrando a evolução enquanto artista por parte de Drake, que se mostra muito mais maduro num curto espaço de tempo. Embora este novo projeto não tenha nenhum hit que aparente sequer conseguir chegar perto daquilo que One Dance (single do álbum anterior e, até à data, a música mais ouvida no Spotify) conseguiu alcançar, More Life tem mais conteúdo que nunca e, em geral, os temas das músicas já não se prendem em “ignorar mensagens” ou em “ser um galã de discotecas”. No entanto, a maior prova do seu amadurecimento é-nos dada na última música da playlist, Do Not Disturb, “I was an angry youth while I was writing Views”, o que aponta para uma retrospeção acerca do seu trabalho anterior.

Free Smoke é a primeira música, dando um começo forte, apesar de não muito fresh, a esta playlist que acaba por perder pela longevidade – são os primeiros três minutos e meio de uma hora e vinte minutos de música. Segue-se No Long Talk, que conta com a participação do rapper britânico, Giggs. Esta segunda track, curta, serve bem como preparação para o que aí vem a seguir.

Passionfruit, uma mistura de chillwave e pop com um toque de house, é, sem dúvida, a estrela da companhia e um indicador de que se trata de um projeto que vai trazer muito mais prazer em ouvir do que Views. Após o Jorja Interlude, a música house acaba por ir dando lugar aos estilos afrohouse e dance hall, com a incrível Madiba Riddim, uma track afropop refrescante que acaba por elevar de novo o nível de qualidade que havia sido diminuído pela música anterior, Get It Together (uma música bem ao estilo de algo que se ouviria na rádio Orbital durante uma viagem “fora de horas”, e que conta com a participação de Jorja Smith e Black Coffee).

Blem mantém as influências afro, mas acaba por voltar ao estilo mais tradicional de Drake em Views – algo que para muitos fãs pode não ser algo necessariamente negativo, no entanto, em comparação com muitas das músicas da playlist, acaba por destoar do nível já demonstrado por algumas tracks que a antecedem.

4422 é uma música a solo de Sampha que serve quase como uma pausa de três minutos antes de Gyalchester, uma das tracks com o melhor beat e letra, por exemplo: “I know I said I’m Top Five, but I’m Top Two”. Segue-se outra música a solo por parte de outro artista britânico, desta vez Skepta, com o Skepta Interlude.

Seguem-se Portland e Sacrifices (das duas, a mais calma), que trazem de volta o flow do rap americano à playlist – não tivessem, aliás, participações dos rappers Travis Scott e 2 Chainz, respetivamente. Nothings Into Somethings mantém o ritmo de Sacrifices, no entanto assemelha-se bastante ao estilo pré Views de Drake, um pouco como Lose You, a 16ª música e também a mais nostálgica da lista.

Teenage Fever é uma track sem vida, mas tal pode, de certa forma, ser ignorado quando reparamos que é usada a música If You Had My Love de Jennifer Lopez, (mais um) romance do canadiano que, no início do ano, fez correr tinta entre os tabloides.

KMT, que conta mais uma vez com a participação de Giggs, é, na minha opinião, demasiado ameaçadora para Drake e não condiz com o perfil que o cantor canadiano criou ao longo dos anos, sendo por isso uma das músicas que poderia ser cortada desta obra desnecessariamente longa.

Glow, com Kanye West, é um dos pontos fortes da playlist e ajuda a manter a nossa atenção numa altura em que a viagem por este novo projeto já conta com cerca de uma hora de duração. É precedida por Can’t Have Everything, que contém uma mensagem de voz da mãe de Drake que mostra estar confiante nas capacidades do filho e na qual o canadiano é aconselhado a manter uma mentalidade positiva. A mensagem acaba com uma citação de Michelle Obama: “When others go low, we go high”.

Since Way Back é a música mais longa e (outra que) podia ser facilmente retirada, uma vez que acaba por quebrar a fluídez das últimas 5 músicas da playlist.

Fake Love é um dos singles principais da playlist e uma jogada inteligente por parte de Drake pela sua posição quase final na lista, deixar duas das melhores músicas (Glow) para o final five foi crucial para conseguir que se prestasse atenção ao longo de todo este processo. Ice Melts precede Do Not Disturb, a última da playlist e uma maneira de acabar tão bem como se começou (com Free Smoke).

Apesar de não se tratar de uma obra prima que vai ser recordada daqui por 10/20 anos, More Life é, sem dúvida, o melhor trabalho de Drake até ver (bem como o mais ousado). Foi um projeto arriscado que acabou por “dar frutos” e está estruturado de maneira a que, se uma música não for do nosso agrado, a seguinte tem grandes probabilidades de o ser.

Pontos fortes: Free Smoke, Passionfruit, Madiba Riddim, Portland, Glow;

Classificação TDSessions: 6/10 (7/10 tendo em conta os álbuns anteriores)

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