The Desacordo Sessions – Milky Chance voltam a florescer com “Blossom”

Após um primeiro álbum com bastante sucesso (Sadnecessary), os Milky Chance lançam, sensivelmente três anos depois, um novo trabalho intitulado Blossom. O single Stolen Dance, publicado no YouTube em 2013, tornou-se um hit viral, ganhando milhões de visualizações, o que permitiu ao duo partir numa tour e arrecadar vários prémios europeus. Com um estilo muito próprio, podemos dizer que a sonoridade da banda é uma (excelente) mistura entre reggae, folk e eletrónica. Em Blossom, o lado folk da banda acentua-se devido à introdução de um novo instrumento – harmónica. Ainda assim, a banda decidiu não entrar em território desconhecido, mantendo-se fiel a si mesma e assemelhando a sonoridade deste álbum a Sadnecessary. E ainda bem.

Blossom poderá ser, muito facilmente, o jam do nosso verão: composto por 14 músicas, este álbum é repleto de vivacidade e ritmo, perfeito para aquelas noites quentes passadas a conversar na rua. É composto por uma hora de música que, além de ser facilmente aprovada, também é rapidamente aprendida, fazendo com que sintamos a necessidade de fazer também parte do que estamos a ouvir.

A primeira música do álbum partilha o nome deste, Blossom. Os primeiros vinte e cinco segundos da música levam-nos a pensar que o estilo musical tão característico dos Milky Chance se alterou, uma vez que começamos por ouvir umas batidas de música eletrónica. Finalizada essa parte inicial, apercebemo-nos que, afinal, a onda indie e reggae ainda está presente no álbum, iniciando com a voz facilmente identificável de Clemens Rehbein. Esta é a música deste álbum que mais se assemelha à popular “Stolen Dance”, pela sua grande energia e ritmo.

Ego é sobre a distância entre dois amantes. Tem uma batida bastante forte e, por esse motivo, não se nota que a letra é, afinal, algo triste. Tal como Blossom, fica bastante no ouvido: o ritmo e as letras repetitivas animam quem ouve os singles, o que será também uma vantagem em concertos ao vivo. Firebird dá primazia à voz de Rehbein. Até aos 2 minutos e meio, são apenas uns acordes normais na guitarra, dando isso destaque à impecável voz de Rehbein. Depois, inicia-se o solo, com diversos sons refrescantes e novos que demonstram, e bem, a versatilidade do duo.

Doing Good volta a ser outro dos singles que marcam pelas letras repetitivas, mas que, mesmo assim, não se torna irritante. É o tipo de música que entra nas nossas cabeças e, quando damos por nós, estamos a cantá-la e trauteá-la para onde quer que vamos.

Clouds é, segundo a banda, uma música com bastante energia. Tem origem numa mistura de sons de um sítio onde há muito a acontecer, neste caso um mercado. Dizem que, a partir da faixa, conseguem ver um filme a acontecer, devido a toda a sua vivacidade e potência. Cold Blue Rain é a música que melhor demonstra a nova aquisição de Milky Chance: harmónica. Acompanhada de uma guitarra, a harmónica é o que mais se destaca nesta faixa, sendo esta, portanto, a que melhor demonstra o melhorado estilo de Milky Chance.

Stay destoa completamente do resto do álbum. No entanto, não o faz num mau sentido. A música surge em forma acústica, sendo apenas acompanhada com uma guitarra e com a voz de Rehbein. É, portanto, uma faixa mais intimista, mais familiar, que apesar de não ter o ritmo e vivacidade habituais, nos conquista de algum modo. Milky Chance dizem que, com esta faixa, querem que nos sintamos na mesma sala que eles, a ouvir tudo em tempo real, e é isso mesmo que acontece.

Bad Things é a única música do álbum que introduz uma voz feminina, Izzy Bizu, que faz com que a música soe ainda melhor do que seria sem a sua voz. Izzy e Rehbein combinam as vozes de uma maneira harmoniosa, tornando esta uma das melhores faixas do álbum, devido não só à novidade como também ao ritmo. Cocoon foi o primeiro single do álbum a ser lançado (novembro de 2016), sendo que o título foi assim escolhido de forma a informar os fãs de que o duo tinha deixado a música de parte os últimos três anos para voltar para um estado de serenidade, algo que seria fundamental para o novo álbum. A parte inicial da música, que se vai repetindo mais algumas vezes (“Eh-ah, eh-ah, eh-ah, eh-oh”) foi acidental, surgindo de um acaso. No entanto, é o que dá alegria à faixa, tornando-o a uma das mais animadas de todo o projeto.

Losing You fala sobre tentar ser uma boa pessoa, mas não nos perdendo de nós próprios tentando sê-lo. Tem uma musicalidade interessante, mas não se destaca muito do resto álbum. Peripeteia foi considerada pelo duo o ponto de viragem. Foi a primeira música em que começaram a trabalhar e sentiram que esta decidiu o rumo que deveriam tomar. Foi, ainda assim, a última música a ser acabada, mas nem por isso a tornou a pior música no álbum. Tem, de todas as faixas, a letra mais forte, sendo tal transmitido através da voz apaixonante de Rehbein. Para além disso, o final da música é composto por um excelente solo de harmónica, dando mais intensidade à melodia.

Alive é, para o duo alemão, uma música diferente das outras, uma vez que esta surgiu a partir de um ritmo ao calhas feito por Rehbein. É uma música bastante agradável, no entanto, não tem nada de característico que faça com que esta se destaque do resto do álbum. Piano Song é mesmo o que o nome indica: uma canção, acompanhada apenas pela voz de Rehbein e pelo piano. Tal como Stay, destoa do resto do álbum, mais uma vez não numa forma negativa. É algo completamente novo para eles, visto nunca terem feito uma música ao piano. No entanto, conseguem-no de forma irrepreensível.

Heartless termina o álbum da melhor maneira. Começa apenas com uns toques leves de guitarra, que mais tarde se transformam numa batida soft de música eletrónica, introduzindo também, mais uma vez, a harmónica. A banda afirma que esta música é a experiência e introdução de sonoridades diferentes, transformando-o numa colagem de diversos sons, que não é muito pensada. Afastando-se do resto das faixas por não ter uma letra pensada e cuidada (É apenas a repetição das frases “Remember, That someday the heartless will go” e “Those people know the way”), a música não deixa de ser bastante agradável ao ouvido.

A versão deluxe do álbum vem também com mais seis faixas, versões acústicas de algumas das músicas do álbum. Está, sem qualquer dúvida, mais diversificado que Sadnecessary, introduzindo sonoridades diferentes, mas nunca deixando para trás a mistura de estilos que caracteriza Milky Chance.

Classificação TDSessions: 7/10

Escrito por: Daniela Carvalho

Editado por: Ricardo Marquês

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