Dois Dedos de Música com a Magna Tuna Apocaliscspiana

Pode ser difícil de dizer o nome (não fosse parte integrante da faculdade com mais consoantes na sua sigla) mas não fica indiferente a nenhum iscspiano. Eis a MTA ou, se conseguirem ler, a Magna Tuna Apocaliscspiana. Sim, a rubrica Dois Dedos de Música desta semana é sobre a tuna iscspiana, a nossa tuna.

A MTA foi fundada a 17 de março de 1993 (tendo sido assinalado o seu 24º aniversário na semana passada) por quatro aprendizes de Doutor: Ana Oliveira, João Malta, Jorge “Jorginho” Rosa e Miguel Pita. Desde então nunca mais parou, e hoje em dia já conta com mais de 40 integrantes. Entre os mais “old school” da MTA podemos encontrar Henrique “XS” Lopes, Rafaela “Básica” Silva, João “Ser Humano” Seromenho entre outros, sendo André Filipe um dos mais antigos, da geração de 2007.

Desde sempre que a MTA foi uma tuna mista, já conheceu todos os cantos de Portugal e já deu cartas além fronteiras, levando o nome da tuna e do próprio ISCSP a “todas as tasquinhas e coliseus onde possa caber um coração de estudante e uma alma de fadista”, segundo o site da MTA. No ano de 1999, organizou o primeiro festival ApocalISCSPiano, caracterizado pelo convívio entre tunas dos mais diversos sítios e pela partilha de experiências, e desde então também não parou, prometendo realizar em maio (com data a definir) o próximo festival ApocalISCSPiano.

Já foram lançados e editados também três discos pela nossa Tuna. “Quanto mais bebo melhor canto” em 1996, contou com as músicas mais conhecidas da MTA no momento: “Zé Caloiro” ou “Balada da Licenciatura”. Em 2002, de forma alusiva à mudança de estabelecimento do ISCSP para o pólo da Ajuda, lançaram o disco “IV ApocalISCSPiano – Os pinguins chegam ao pólo” onde também participaram as Tunas de Farmácia, Tuna Médica e a Tuna Académica do ISCTE. Em 2006 foi editado o último disco da MTA: “VIII ApocalISCSPiano – Oito encontros, uma vontade” que contou com músicas como “Vontade” , “Ser ou não Ser” ou “Viver ISCSPiano”.

O reportório da MTA conta, até agora, com 12 músicas originais e mais de 30 adaptações passando por António Variações, Sérgio Godinho ou Chico Buarque:

Original:

Adaptações:

O desacordo quis conhecer ainda melhor a MTA e decidiu falar com três integrantes da banda. Sendo eles Mariana “Ginji” Ginginha,  Filipe “Foxy” Raposo e Iuri “Judas” Portalegre. A entrevista decorreu na enigmática sala da tuna no piso -1 do edifício da AE.

Mariana Ginginha toca clarinete e bandolim na Tuna, mas é no primeiro que encontra mais “conforto” ao dizer que a sua principal referência musical é não mais que o seu pai, João Ginginha, maestro e saxofonista de ofício. Recebeu o seu primeiro instrumento aos 10 anos de idade, mas já aprendia música desde os 6 anos. “Foxy”, quando abordado pela mesma questão respondeu que começou a aprender a tocar aos 12 anos, “tardiamente”, nas  palavras do próprio.  Toca guitarra, contrabaixo e acordeão. E se “Foxy” aprendeu a tocar tardiamente, o que dizer de Iuri, ou “Judas”? Aprendeu a tocar baixo aos 14 anos, mas desde que entrou na tuna, há cerca de 2 anos e meio, é difícil encontrar um instrumento que não saiba tocar, nas palavras do mesmo, e até é porta-estandartes(!). No entanto, refere que aqueles em que se sente mais confortável são a percussão, pandeiretas e baixo.

Pedi para me resumirem rapidamente a passagem deles pela tuna até agora e as respostas foram das mais variadas. Mariana Ginginha referiu que entrou para a tuna no seu terceiro(e último) ano de licenciatura uma vez que “necessitava de um escape para os estudos” e que a ajudou a ambientar-se nas dinâmicas de grupo, cada vez mais, dando-lhe a força necessária para terminar o curso. Já “Foxy”, dotado da sua sinceridade aprazível e acompanhado pelo som da guitarra de “Judas” no background disse ao Desacordo que entrou para a tuna porque “queria fazer música”, de forma muito simplória, mas que com o passar dos tempos se foram criando laços e das amizades “mais fortes que tenho na minha curta vida”. Concluiu dizendo que as “coisas” que se passam na Tuna e com a Tuna (e fez questão de dizer que não as ia revelar) ficam na “memória de todos”. “Judas”, muito curto e conciso, respondeu que “de forma quase literal” abdicou do curso por uma “convivência e uma entrega” como nunca viu igual. Concluiu também dizendo que muitos dos integrantes da MTA o ajudaram a “crescer”.

Com o decorrer da entrevista, num ambiente de descontração, os entrevistados decidiram mostrar ao Desacordo os seus principais artistas favoritos. Mariana Ginginha, uma entusiasta do mundo musical, foi a que referiu mais nomes, sendo eles: Capitão Fausto, PAUS, Sérgio Godinho, Zeca Afonso, Linda Martini, Diabo na Cruz, Samuel Úria, B-Fachada, Tame Impala e Metronomy, fruto do seu gosto por música portuguesa, folk, indie, fado e electrónica alternativa . Por sua vez, “Foxy” tem um gosto muito peculiar, tendo dificultado a minha tarefa de apontar os nomes tanto dos estilos como das bandas que ouve mais devido à sua “estranheza” ao meus olhos (ou ouvidos). Após escrever num papel para me facilitar, pude constatar que Post Rock, Shoegaze, Dream Pop e Dance Punk eram os estilos que mais gostava de ouvir, personificados por God Speed you Black Emperor, LCD Soundsystem, The Antlers, Scott Walker, the pillows e Childish Gambino. “Judas” mostrou-se, mais uma vez, curto e conciso na sua resposta, dizendo que está sempre a ouvir estilos novos mas que de momento Metal Core, Grunge e Punk têm feito parte das suas preferências. Toh Kay e Nickelback são as bandas que mais tem gostado de ouvir.

Quando questionados sobre o que é a música para cada um deles, sentiram-se um pouco introspectivos e necessitaram de algum tempo para responder. Mariana Ginginha disse que é “uma forma de ser, uma forma de estar, uma arte” e uma “personificação do que nós somos” sempre de forma bastante séria. “Foxy” respondeu que “a música é uma linguagem”, e que muitas vezes “curtimos duma música sem saber o que ela diz, pode ser cantada no idioma que quiseres” ou seja, que “tem o poder de conectar pessoas”. “Judas”, na sua habitual frontalidade simpática, disse que a música, na sua opinião, era uma “manifestação de um estado de espírito”. Pedindo para me resumirem a MTA numa única palavra, Mariana Ginginha respondeu “Família”, e “Foxy” procurou fugir ao convencional utilizando um estrangeirismo francês, para ele a música é um “revérie”, que pelo menos no Priberam significa um devaneio, um sonho acordado, deixando todos estupefactos na sala, fazendo com que “Judas” lançasse mesmo para o ar um “Deep!!”(profundo!!), referindo-se à afirmação do colega. Este respondeu à pergunta dizendo que a MTA não mais era que uma “orquestra amadora” o que por si só não seria algo mau, pois todos têm uma vida para além da tuna, mas quando se juntam para fazer música, “magia acontece”, nas palavras do  nosso colega “Foxy”.

Para terminar a entrevista, cada um dos entrevistados foi convidado a nomear uma música favorita da tuna. Mariana Ginginha elegeu a música “Vontade”, “Foxy” apesar de achar difícil eleger uma “melhor música”, por todas terem um elevado grau de qualidade, acabou por escolher a adaptação “The Duel of the Fates” e por fim, “Judas” elegeu a música “Roda Viva”.

Já a escolha do redator recai sobre a adaptação de “Canção do Engate” de António Variações devido à melodia rápida e ao som retumbante dos tambores que deixa qualquer ouvido colado à música.

Escrito por: Bruno André

Editado por: André Blayer

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