Desacordo na antestreia do filme “100 metros” – Marcel Barrena fala-nos do filme

Watch-100-metros-2016-800x480No dia 20 de março decorreu, no Cinema São Jorge, a antestreia do filme “100 Metros”, do espanhol Marcel Barrena. Como tal, o Desacordo decidiu marcar presença no evento e não só assistiu à longa metragem como também esteve à conversa com o realizador/escritor.

O filme, com estreia marcada para dia 30 de março, conta com a participação dos atores portugueses Ricardo Pereira, Maria de Medeiros e Manuela Couto.

“100 Metros” conta a história verídica de Ramón, um homem de família que vivia uma “vida comum”: trabalhava e passava tempo com a mulher e o filho. Aparentava ter uma vida ideal, em que o único problema do mundo parecia ser as constantes discussões com o sogro. Até que algo muda a sua vida completamente. Ao descobrir que tem esclerose múltipla, Ramón desiste da sua carreira e perde toda a esperança numa boa qualidade de vida.

Esta doença degenerativa é conhecida por ser a “doença das mil caras”, uma vez que se manifesta de maneira diferente em cada pessoa. A única certeza que cada doente de esclerose múltipla pode ter é “ao fim de um ano não poder andar mais de 100 metros”.

Revoltado com este lema e contrariando todos os preconceitos da doença, Ramón decide fazer o Iron Man, uma competição de triatlo que consiste em 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42,195km de corrida.

Desafia todas as probabilidades e acaba por inspirar milhares de doentes que partilham da mesma história. Ramón é um exemplo de combate à resiliência e de contínua procura de realização. Dessa forma, mostra a todas as pessoas que não podemos desistir à primeira adversidade.

Os portugueses, por normal, franzem o nariz a filmes que não são no clássico inglês, mas este em específico muda a opinião de qualquer um.

A história dramática colocou a audiência numa montanha russa de emoções. Não só a fez chorar, como também a fez soltar as maiores gargalhadas. Num caso normal, não diríamos que isto fosse algo agradável, no entanto, a magnificência do filme faz com que assim o passe a ser.

Não só o enredo do filme está esplêndido, como também tudo o resto que envolve a cinematografia: a banda sonora, a fotografia, os excelentes atores e a edição.

A câmara capta, de uma forma apaixonante, todas as sensações e sentimentos das personagens, levando-nos a partilhar da mesma felicidade, angústia, irritação, dor e tristeza.

A banda sonora, do português Rodrigo Leão, é outro elemento que enriquece o filme, ilustrando cada momento com uma melodia adequada às sensações que tentam transmitir através da tela.

Dani Rovira (Ramón), Karra Elejalde (sogro de Ramón, Manolo) e Alexandra Jiménez (mulher de Ramón, Imna) são os três atores que interpretam os papéis com mais peso no filme. Devido ao tema principal do filme ser a doença de Ramón e a sua recuperação, os sentimentos baseiam-se muito na dor, culpa e, mais tarde, orgulho, felicidade e alívio. Uma montanha russa de emoções, como já tinha sido anteriormente, que, para ser sentida por nós, tem de ser transmitida através dos atores. Estes conseguem-no de uma forma irrepreensível.

No final do filme, conseguimos abordar o realizador, que também escreveu o roteiro, e fazer-lhe umas perguntas. Marcel Barrena começa a entrevista por não saber em que língua falar. É uma grande indecisão, uma vez que portugueses e espanhóis dificilmente se entendem a falar a mesma língua. Sugeriu o inglês, mas ficámo-nos pelo castelhano.

Desacordo (D): Como entrou em contacto com a doença pela primeira vez?

Marcel Barrena (MB): Com a doença?! Pelo Ramón! Descobri a história do Ramón e com a história dele é que descobri a doença. Eu tinha tido professores com Esclerose Múltipla (EM), mas nada mais. E quando descobri o Ramón é que entrei mesmo em contacto com a EM.

D: E como é que conheceu o Ramón?

MB: Na televisão! Estava a fazer zapping, e encontrei uma entrevista com um senhor louco que queria fazer um Iron Man com esclerose múltipla. Entrei em contacto com ele e disse-lhe: “quero fazer um filme sobre ti”.

D: De que forma este filme mudou a sua vida?

MB: Bem, a nível profissional muito e a nível pessoal… Conhecer alguém como o Ramón é muito bonito… E não só o Ramón! Do elenco fazem parte neurólogos, enfermeiros e até os atores têm esclerose múltipla… Todos eles ensinaram-me muita coisa. Podem fazer-se filmes normais, sobre fast food ou satíricas, ou filmes como este, que vão ficar para sempre.

D: O que separava a ficção da realidade?

MB: Claro que há muita ficção. O importante é a parte verídica. Quem é Ramón? Quem é a sua mulher Imna? O que se passou com ele? Tem esclerose múltipla e fez um Iron Man! O resto é cinema e a sua magia.

D: Obrigada, Marcel, por responder às nossas perguntas.

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Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Daniela Carvalho e Madalena Gonçalves

Editado por: Rita Rogado

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