Dois Dedos de Música com Máry M

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Tarde de segunda-feira, 15 horas e uma boa conversa sobre a vida e a música na esplanada da Linha d’Água, em Lisboa. Mariana Marques tem 21 anos, é de Alverca e estuda sociologia no ISCTE. Adora cozinhar, mas sabe que a música – e a escrita – sempre foi o seu primeiro e maior amor.

Máry M. é o seu nome artístico. “Não sabia o que é que me havia de chamar a mim própria. Depois de muito tempo a pensar nisto, percebi que mais valia manter o nome que toda a gente me chama, Máry, do que uma coisa que não tenha nada a ver comigo”, confessou ao desacordo. Em relação ao M, que segue Máry, explica que é a primeira letra do seu apelido e que é “mais fácil encontrar uma Máry M do que uma Máry”.

O rap surgiu na vida de Mariana há alguns anos. Sobre o panorama musical do rap em Portugal, Mariana defende que “estamos a ir muito bem”. “O rap sempre foi um estilo muito estigmatizado, associado a marginais, pessoas de bairro. Atualmente já não é bem assim”, diz, acrescentando que “já há rap em todo o lado: na rádio, em festivais de música, em festas da faculdade”.

No entanto, Mariana identifica-se com o rap mais emocional, autobiográfico, com sentimentos à mistura. “Não significa que não ouça rap de rua, só não me identifico tanto”, reforça.

Em relação à sua experiência na música, Mariana hesita. Fez conservatório, tem alguma formação musical, aprendeu a tocar piano e violino. Tem muitos cds e já foi a muitos concertos, no entanto, encara a escrita como o principal alicerce do seu trabalho na música.

“A nível de escrita sempre participei naqueles concursos da escola, concursos de poesia e de prosa e tive blogs. Escrever sempre foi aquilo que eu quis”, contou ao desacordo.

Questionada em relação à coragem para mostrar a sua música, Máry M. conta que demorou muito tempo a encontrá-la: “já ando nisto há anos. Gravei outras músicas, mas nunca tinha tido coragem de a mostrar”.

“Chega a uma altura da nossa vida em que parece que as paredes do quarto já não são suficientes. Queres sair e mostrar aquilo que tu gostas tanto aos outros”, contou ao desacordo.

Quando decidiu dar-se a conhecer, garante que não foi fácil. “Tens de ter atitude e não podes ter medo. Tens de deixar de te questionar sobre o que os outros vão dizer. Distanciar-te disso e pensar que estás a fazer aquilo porque gostas mesmo”, confessou.

Mas para fazeres música, escrever não basta. “Quando tens um sonho, tens duas hipóteses: ou segues o teu sonho ou deixas as coisas guardadas para sempre”, disse. Máry M seguiu a primeira hipótese. E ainda bem.

Capicua é a sua maior inspiração na área da música. Sabe todas as musicas da rapper portuguesa de cor e já perdeu a conta a quantos concertos da artista a que foi. “Já lá vão alguns anos a gostar dela e por ano vou a muitos”, acrescentou.

O que é para ti a música?

“É uma boa pergunta”, diz. “Acho que depende muito daquilo que as pessoas procuram dela”. Máry M não esconde que para si as palavras são mais importantes: “eu gosto muito de palavras e para mim a música é uma forma de expressar emoções. Eu faço-o através das palavras”.

“Se não tiver palavras acho que a mim não me toca tanto”.

Em relação à sua primeira e única música divulgada, R.A.P, Mariana conta que é uma música autobiográfica que fala de rap, de como vê o rap. “No fundo acho que fala um bocado do peso que o rap tem na minha vida”, diz.

“Para me estrear, queria que fosse uma música que tivesse mais a ver com o rap. É o meu estilo, aquilo que me inspira e que está presente na minha vida ao longo dos anos. Queria demonstrar que acima de tudo eu tenho respeito ao hip-hop”, contou ao desacordo.

Questionada em relação ao tempo que levou a escrever a letra da música, Mariana conta, depois de pensar alguns segundos, que demorou cerca de dois dias. “Havia frases que eram de outras letras que já tinha escrito e que faziam sentido”, revelou.

Assim, Máry M assume-se como “uma daquelas pessoas que quando se lembra de uma ideia ou uma frase aponta no telefone”. “Essas frases vão incorporar uma letra mais tarde e vão surgindo outras a partir da primeira ideia”, contou.

Em relação a um disco, Mariana confessa que não se quer apressar, mas tem planos e outras músicas para sair. “Não sei se vai ser logo um álbum, mas sim, penso nisso”, conclui.

A escolha da redatora:

A Mariana ainda não tem outras músicas lançadas. Lançou apenas a R.A.P. Mas conheço-a há anos e é um gosto saber que decidiu seguir o seu sonho, o rap. Sempre gostou de escrever e sempre o fez muito bem. Esta música, R.A.P, é a prova disso. Se eu pudesse escolher entre esta e outras que tivesses lançado, escolhia esta, Mariana. A primeira. Porque foi o teu lançamento, o resultado do teu amor pela música, pelas palavras, a tua entrega, trabalho e coragem. Parabéns, Mariana. Que os teus sapatos não parem nunca mais à espera que lhes dês corda.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Rita Rogado

 

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