Missão País – Arronches transforma ISCSP e vice-versa

Pelo segundo ano consecutivo, um grupo de cerca 50 ISCSPianos católicos, parte em direção a Arronches, para mais uma semana em missão.

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Todos os anos, milhares de jovens seguem em Missão, juntamente com a sua faculdade, para testemunhar a fé em Jesus e mostrar como a podemos viver através da caridade e do serviço.

Cada faculdade fica três anos seguidos na mesma terra, e cada ano tem um propósito diferente. No 1º ano, o objetivo principal é Acolher, isto é, fazer com que missionados e missionários se sintam acolhidos, e que possam, em conjunto, trabalhar nos dois anos seguintes. A Missão País no ISCSP, vai já no 2º ano. Na semana passada, os 50 jovens missionários provocaram uma Transformação em toda a comunidade. Esforçaram-se por criar uma relação mais forte com as pessoas com que se tinham cruzado no ano anterior. Em 2018, será o ano de Envio, em que o ISCSP parte para outra Missão noutra região e a Comunidade de Arronches é “enviada” para começar a sua própria missão, tornando-se testemunhas de Jesus no local onde vivem.

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À primeira vista, uma semana não parece muito tempo, mas o trabalho aqui feito é desde logo inesquecível. Embora a maioria das atividades durante esta semana tenham como fio condutor uma realidade cristã, até mesmo os não crentes são capazes de sentir o impacto do trabalho da Missão País na comunidade onde se encontram, acabando por não ficarem indiferentes.

Chamámos alguns dos nossos últimos missionários para nos contarem um bocadinho da sua experiência:

Teresa d’Orey, 22 anos, Serviço SocialWhatsApp Image 2017-02-27 at 09.46.09

Antes de participar neste projeto, via a Missão País como mais uma atividade beata e de voluntariado. Não pensava que fosse tão grande como o que senti, especialmente nesta segunda vez. Quando fui não tinha bem noção da estrutura, de como somos divididos por várias instituições (e que terra cheia de trabalho para fazer, onde o ISCSP foi parar!). O que menos me apetecia era o Porta à Porta: este ano foi claramente o que mais me marcou, foi onde senti a verdadeira missão, em casa de uma senhora que ficou como a Avó das nossas missões!

No ano passado não achei muito difícil, mas este ano foi muito complicado para mim, ter de me largar de mim, deixar os problemas em casa e estar a 200% na missão. Porque ser missionário não é mais do que sermos nós mesmos e por isso, não devemos deixar a nossa vida de lado e “pôr tudo em caixinhas”. Mas, por outro lado, só podemos missionar de facto, seja na oração, seja no voluntariado, se nos despojarmos de nós mesmos. Este equilíbrio, em que não deixamos de ser nós próprios (sendo verdadeiros, íntegros e consistentes), e a entrega total aos outros, é muito difícil de arranjar.

A Missão País faz todo o sentido enquanto estudante de Serviço Social, porque o curso enquadra-se muito com a caridade praticada na Igreja Católica e é possível, neste projeto, encontrar muitas das razões que me levaram a escolher este curso, além das imensas parecenças entre um Assistente Social e a forma de estar de um Cristão. Citando uma pessoa que ouvi um dia, “Jesus foi o maior Assistente Social da História” – e para perceber isto não é preciso acreditar que Ele é o filho de Deus.

Uma das coisas que mais me fascina na Missão País é a marca que deixa tanto nos missionários como na população da Terra. Cria-se um grupo de amigos, quer sejamos, ou não, Católicos, mas também há uma enorme relação com os velhos do lar, os miúdos da escola, os deficientes das instituições e todas as pessoas que visitamos e que nos visitam a nós durante a semana. É uma experiência que aconselho qualquer universitário que sinta que quer “sair e pensar fora da caixa” a ter. E é em Portugal, o que só torna tudo mais acessível e fascinante.

 João Gonçalo, 20 anos, Administração Pública

IMG_8846Antes de fazer missões, não fazia mesmo ideia do que ia encontrar. Não tinha expetativas nenhumas. No entanto, sendo este o meu segundo ano, já sabia mais ou menos o cenário com que me ia deparar e a forma como me iam receber. Apesar disso, estava bastante nervoso, pois ia retornar a um lugar onde tinha sido muito feliz. Participei na Missão com o intuito de ajudar quem mais precisava e dar um pouco de mim à comunidade e instituições em si, mas, no fim, acabei por receber mais do que realmente dei. Foi muito gratificante para mim, enquanto missionário, perceber que conseguia fazer a diferença, desde os sorrisos que partilhei, aos abraços intensos e até às lágrimas que eram complicadas de suster. O Amor que recebemos é inexplicável, basta imaginares que aquela velhota passou a gostar de ti como se fosses o seu “netinho”. Resumidamente, no final da semana tinha cerca de 50 “avozinhas” (e não há nada melhor que os avós).

Em 2017, fui convidado para ser Chefe de Serviço da Missão, e a minha principal missão era proporcionar aos missionários uma semana tão espetacular como aquela que tinha tido no ano anterior, mas sem nunca abdicar da minha função como missionário. Sendo assim, fiquei na Unidade de Cuidados Continuados.

Primeiro que tudo, tentei transmitir ao grupo toda a emoção que é poder estar ali presente a ajudar quem mais precisa e, apesar de muitas vezes o cenário não ser o mais agradável, tínhamos que dar 100% de nós e tornar a semana deles única. Posto isto, as dificuldades dificilmente apareciam pois estávamos acompanhados pela graça de Deus e a solução seria sempre rezar!

Uma das situações que mais me marcou foi a de uma senhora que estava no UCC, esta não consegue falar mas tem um sorriso contagiante (mesmo sem dentes!). Entrei no elevador com a senhora para a ajudar e ela fica a olhar fixamente para o espelho e começa a deixar cair lágrimas ao ver a sua imagem, e o seu sorriso a desaparecer… Tentei animá-la, mas em vão… Ao refletir sobre a situação, mais tarde, percebi que a imagem não é o mais importante, esta a senhora via-se todos os dias ao espelho e apesar do estado em que se encontrava tinha um sorriso que metia qualquer um alegre!

Maria Teresa Seromenho, 19 anos, Ciências da Comunicação

SONY DSCGostei imenso da missão país. Achei super interessante e deu para conviver com a comunidade, abrirmo-nos às pessoas e sobretudo, descobrir o que de facto é ser cristão. Não é só rezar e ir à missa, mas sim o Amor ao próximo, o estarmos atentos, o ajudarmos. Perceber como um simples “Bom dia”, um sorriso, ou até mesmo um abraço pode mudar a vida.

O que é que a Missão País mudou na minha vida? Foi essa maneira de olhar para o outro, sem julgar… O nosso chefe de oração uma vez deu-nos o exemplo de quando vamos no metro, focados nos nossos telemóveis, o olhar para a outra pessoa, o sorrir, o dizer “Bom dia”, pode mesmo mudar tudo! Se estivermos de pior humor, e alguém nos der um “Bom dia” com o maior sorriso possível, é impossível ficarmos indiferentes! A nossa alegria acaba por se tornar contagiante.

Gostei imenso, e aconselho toda a gente a experimentar para o ano! 

Manuel Bessa, 19 anos, Gestão de Recursos Humanos

IMG_8849A Missão País foi sempre um movimento que me suscitou a atenção, tanto pela sua originalidade de ser vivida em ambiente académico como também pelo facto de envolver uma ação que exigia esforço e dedicação.

A Missão, posso hoje dizê-lo com toda a confiança, foi uma das melhores experiências de fé que já vivi. O dar sem receber, o serviço, e a caridade foram grandes exemplos de entrega total. A Missão País correspondeu às minhas expetativas muito positivamente, voltando com o coração cheio, com vontade de dar mais para receber a dobrar.

Seria ingrato falar só das “beatices” pois uma coisa que sei que fiz com a missão foi amizades que durarão muitos anos. Uma amizade em Cristo, é a amizade mais forte e saudável que se pode ter. É um amigo que não vira as costas, tem sempre a mão estendida e procura vir ao nosso encontro sempre que lho é disponível.

Uma das experiências que mais me marcou foi o “Porta à Porta” e a genuinidade no acolhimento dos missionários em suas casas. O pouco que os cidadãos de Arronches tinham, queriam nos dar. É muito bom ver os gestos de gratidão da vila por nos ter lá e sem dúvida que isso me marcou muito.

Quando a Missão acaba depois de tanto trabalho feito em diversas instituições, apesar de exaustos, temos o coração cheio  para ajudar e participar no que for preciso, desde as missas diárias, aos encontros no café, às dinâmicas do movimento, queremos estar presentes em tudo. É impossível descrever tudo aquilo que senti naquela semana, só mesmo vivendo-a é que se consegue entender o peso e a força que teve.

Gostaria de terminar com uma frase que me acompanha sempre nos momentos de maior dúvida e incerteza: “se eu morresse e soubesse que o céu não existia, e pudesse voltar atrás com as minhas decisões de vida, nada mudaria; porque uma verdadeira vida cristã vale sempre a pena ser vivida!”

Carlota Palha, 22 anos, Relações Internacionais

WhatsApp Image 2017-03-06 at 13.51.13A minha experiência missionária não começou no ISCSP. As minhas primeiras missões foram há dois anos, num sitio completamente diferente, com um grupo completamente diferente e eu própria estava com um espírito completamente diferente.

Este ano vim sozinha. Não conhecia ninguém, não tinha sido convidada por ninguém, e a vontade apareceu do nada. Por isso mesmo tive a certeza que, este ano, era por aqui que Nossa Senhora me queria mandar. Andei entusiasmadíssima, e na semana antes de ir já não aguentava com tanta vontade.

Ao chegar ao ponto de encontro, imediatamente conectei com duas ou três pessoas. Sabem que quando vamos sozinhos para os sítios, estamos automaticamente mais abertos a deixar os outros entrar. Umas horas depois, reparei que afinal conhecia duas ou três pessoas e assim, no primeiro dia já me sentia exatamente onde deveria estar.

Em Arronches, uma pequena vila, que afinal não é assim tão pequena, temos o CAO (centro que acolhe pessoas com deficiências), o Lije (centro que acolhe rapazes adolescentes que ou saíram de casa ou foram expulsos pelos pais), a UCC (onde encontramos doentes acamados) o infantário, a escola, o lar, a santa casa e o teatro. Comecei logo com uma graça, fiquei exatamente onde queria, no teatro.

Relativamente ao teatro, não podia ter ficado numa comunidade melhor. Não vou mentir, não foi fácil. Fiquei com um papel que não me apetecia, não atinei com as minhas falas e muitas vezes, devido ao meu feitio, queria fazer tudo a minha maneira e sentia que não era ouvida. No final de contas, dei o meu melhor, todo o grupo deu tudo o que tinha e mais um dedo mindinho, e com todo o nosso coração apresentámos uma peça que nos saiu do pelo.

A missão da minha comunidade não é como as outras. Na minha opinião, a nossa missão tem um impacto que não é logo entendido. Através da arte, tentamos passar uma mensagem de forma divertida e um bocadinho subliminar. O nosso objetivo é que a mensagem chegue e fique no coração e memória da comunidade que nos acolhe e dos restantes missionários. Não se enganem, nem sempre é fácil passar a mensagem, mas se for feito com amor, eu acho que tudo corre bem. Foi exatamente assim que o nosso teatro foi feito e pensado (modéstia à parte).

Relativamente ao grupo e às missões em geral, não há palavras que cheguem para descrever. Tivemos um grupo inimaginável que se uniu desde o primeiro dia. Com apenas dois dias já parecia que nos conhecíamos há anos e que éramos todos amigos. Reencontrei pessoas, conheci novas e tenho a certeza que desta experiência levo amigos, mas amigos verdadeiros, daqueles para a vida.

É assim que Jesus nos guia. Assim como quem não quer a coisa, abre-nos estas janelas e aponta-nos estas luzes. Estejam atentos, porque os seus sinais estão em todo o lado. Só temos de ter os olhos, ouvidos e corações bem abertos.

Deixem que Nossa Senhora vos visite. Deixem que ela vos encha o coração e os deixe a arder a todo o gás. Não vale a pena “fugir” porque se assim tiver que ser, assim será.

Quero concluir, com um enorme Obrigada. Obrigada Arronches, Obrigada missionários, Obrigada chefes incansáveis, Obrigada Pe Rui e Obrigada nossa querida Mãe por seres o elo conector de toda esta obra que tantas vidas muda e move.

 

 Para mais informações não se esqueçam de visitar a página da Missão País:

http://www.missaopais.pt/quem-somos.html

Escrito por: Madalena Gonçalves

Editado por: Isabel Vermelho

 

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