Dois Dedos de Música com Antony Left

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A Rubrica “Dois Dedos de Música” desta semana dá a conhecer uma das vozes mais promissoras da música portuguesa, Antony Left, com o qual tivemos o prazer de fazer uma entrevista presencial. 

Tarde de sexta-feira, café próximo da nossa origem: um Colégio onde crescemos quase em simultâneo. Uma breve conversa sobre a vida e sobre o jornal. Procurou saber quem nós éramos, o que fazíamos e o que queríamos dele, demonstrando logo de início uma disponibilidade enorme para acolher a nossa curiosidade e para colaborar connosco. Não escondeu a satisfação quando percebeu que a minha colega Daniela Carvalho, que não era sequer de Lisboa o conhecia, bem como por saber que uma outra colega de faculdade utilizou uma música dele como base de uma curta metragem para uma cadeira. Reagiu com a boa disposição e com um “e nem me pergunta?”, não escondendo risos e a alegria por ver “estas pequenas vitórias”.

“Então vamos a isto”, de Antony Left deu o ponto de partida para a entrevista.

Estudante de Estudos Gerais na Universidade de Lisboa, António Graça tem 22 anos e é de Carcavelos. O nome Antony Left é uma evolução de um projecto de produção de música electrónica que revela já ter  5/6 anos  e onde começou a encarnar o nome “Left”, por ser esquerdino. Nickname que associado a António Graça, o seu nome próprio, dá Antony Left0006840153_10. Para esta evolução contribuiu também a natureza da sua música, a língua inglesa e a possibilidade de internacionalização da mesma, reconhecendo que a inexistência do “ç” nos alfabetos estrangeiros, que faz com que “Graça” se transforme em “Graca”, o fez mudar para Left. Esta mudança permite também “uma interactividade com as pessoas, que podem decidir se preferem “Left” (esquerda) ou Left de (Bazou)”, revelou o artista ao desacordo.

Começando pelo principio e pelo modo como a música caiu na sua vida revela: “Não tenho formação musical, não fui a nenhum conservatório”. Assume-se como “um autodidacta”. Em jeito de brincadeira, diz que não gosta de se assumir como “parecido com o Einstein” por não gostar das aulas, mas que a verdade é mesmo essa, que não gosta das aulas, no entanto gosta de aprender, nem que seja sozinho. E, assim, pelo próprio pé, entrou pelo mundo da música.

Com duas aulas de guitarra e outras tantas de voz, assume-se como “preguiçoso”, no entanto, para si “a música ter de ser trabalho de casa não é fixe”. Como contemporâneo da geração jovem assume a Internet como o seu professor de tudo o que é relacionado com música, com uma ligeira ajuda do pai a quem deve o feito de lhe ter oferecido a primeira guitarra.

A origem da música com a “marca Antony Left” surgiu de um acompanhamento intenso das músicas de Ben Howard, que surgiu como um ponto de partida para tentar fazer algo semelhante, resultando, assim, o seu primeiro tema.

A música que mais o marcou, por ser a primeira, foi Young Souls. Resultou “de uma brincadeira com acordes em casa”, revelou. No entanto, gosta de toda a sua produção, mesmo que por vezes “se chateie com algumas músicas”.

Ao jornal desacordo, confidenciou ainda que esse tema, o seu  primeiro e maior sucesso até à data, foi escrito em duas horas, tendo como base de partida uma melodia e uma letra que eram apenas rascunhos e que passaram a ser uma música com “cabeça, tronco e membros”, como vulgarmente se diz.

Quanto ao seu processo criativo, assumiu não se rever na teoria de que “a musa da inspiração vem e surge uma música”, acrescentanto que a música “não surge sem trabalho”. O artista revelou respeitar determinadas “técnicas de estrutura da música, da letra e do tema”, revelando ter um mecanismo próprio, que começa pela sonoridade da guitarra e que lhe sugere determinada emoção. Rapidamente alia essa emoção a sonoridades que possam ser letras, isto é, segundo António Graça, “ba ka li ko do ko” (onomatopeia que diz ser possível de utilizar com a sua sonoridade inicial) e que rapidamente se converte em “hey how are you”. Assim, o artista afirmou que ao contrário do que é regular na música, no seu caso pessoal de processo de criação de música “primeiro surge a música e depois a letra”.

Teve como ponto alto da carreira a vitória no Concurso Nacional de Bandas da Antena 3, que refere ter sido uma experiência muito positiva para a solidificação do seu projecto, já que foi com base no mesmo que formou a sua banda. Foi nesse contexto que deu o seu primeiro concerto mais “profissional”, contando com a apresentação da banda “You Can’t Win, Charlie Brown“, que já tem um lugar cativo na música portuguesa.

Antony Left

Concurso Nacional de Bandas – Antena 3

No entanto, e no seguimento da conversa sobre todo o desenrolar do concurso que contou com 200 participantes e diversas eliminatória no país inteiro, António, assume que “música como competição não é algo com que concorde”, mas que obviamente que esse foi “um bom expositor” para a sua música e para o seu projecto. E por outro lado, deu-lhe também a possibilidade de actuar no palco Antena 3 do Super Bock Super Rock.

António revelou também ao desacordo que a sua primeira actuação pública foi nos palcos do Colégio Marista de Carcavelos onde fazia actuações esporádicas de BeatBox com um amigo.

Sobre a dinâmica de banda que segue assumiu: “sou eu quem faz as músicas”. Eles [restante banda] “aumentam a dimensão musical e acrescentam aquilo que eu não fiz”, disse, revelando que “a banda está cada vez mais participativa em termos de composição”. “Para o bem e para o mal, somos uma banda”, defendeu.

A banda é constituída também por Tomás Borralho na bateria, Maria Inês Rebelo no violino e Catarina Rodrigues no violoncelo. Os três jovens auxiliam António na composição de uma das bandas mais originais do panorama musical jovem português. Dos membros, destacou a violinista, por ser a sua namorada e primeira companheira no projecto e a mais influente na composição e no impulso.

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Catarina, Maria Inês, Tomás e António – Antony Left

Destaca como principais influências Ben Howard no inicio do projecto e Lewis Watson, Papper Kites e Ed Sheraan, que apresenta, de um modo “bem humorado”, como o “cabeça de cartaz” das suas influências. Apresenta ainda o nome de Matt Corby, como um génio da música e que é para ele um exemplo no panorama musical.

Em Portugal, refere que funciona muito por “connects” e “cunhas” e que isso cria um lote um restrito. “Tens de te dar bem com toda a gente e conquistar o respeito, no entanto há aquela cena de se não és grande o suficiente não tens respeito, o que faz com que andes a pedir aos poucos e vás conquistando o teu espaço, muito lentamente”.

Apresentou o caso dos “Capitão Fausto” que têm o mesmo agente que ele, o Hélio Morais dos Linda Martini: “No principio estavam um pouco anónimos, mas deram o salto, foram o Melhor Álbum do Ano e agora já não são eles que esperam pelas pessoas, são as pessoas que esperam por eles”. Assim, António disse que a maior dificuldade que enfrenta é mesmo “dar esse salto” que lhe permita aparecer no panorama musical português.

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Para descrever a sua música utiliza as palavras “melancolia” e “nostalgia” , assumindo que está a tentar fazer musica mais mexida. Para António, é mais fácil fazer música sobre nostalgia, reflexão ou tristeza, do que sobre alegria, avançou, pois define que “a linha entre alegria e foleirada é muito próxima” e ele não se identifica com essa essência musical.

O artista destaca as redes sociais como essenciais para a promoção do seu projecto, assumindo que ele, como qualquer projecto musical que agora surja, está “dependente da aprovação do Facebook e do Youtube”, o que traz diversidade e algumas músicas más, mas que isso, na sua opinião, “não retira valor às boas”.  Estas são também plataformas que  potenciam que a musica chegue mais rapidamente a todo o mundo, o que no seu caso, e por compor em inglês, se revela muito positivo.

Depois do surgimento e solidificação em 2015 , no contexto do concurso, de umas aparições na televisão (três vezes no programa “5 para a Meia-Noite”) e de um 2016 “parado” por ter estado a estudar fora e que serviu mais como um ano de composição, de algumas experiências que não correram tão bem, Antony promete um 2017, como “o ano” do projeto Antony Left. Para este ano, está planeado a gravação de novo EP , que começou a ser gravado em Novembro de 2016, que poderá dar um bom impulso ao projecto. Estão também em processamento a gravação de vídeos para acompanharem as músicas, que é para ele “essencial” no contexto da musica actualmente.

A escolha do redator:

A minha música preferida do António é, sem dúvida, o tema “Young Souls“, no entanto, acho que qualquer pessoa com um gosto mínimo por música e a cima de tudo por música acústica houve qualquer tema deste jovem promissor.

Como já foi referido anteriormente pelo próprio, deixo aqui como escolha outro tema, “Ocean“, que apresenta a simplicidade e ao mesmo tempo a complexidade instrumental e musical deste projecto, que pouco a pouco, passo a passo, tenho a certeza que conquistará um lugar maior no panorama musical português e, quem sabe, internacional.

Foi uma boa tarde de entrevista, mas a cima de tudo de conversa, com um dos nomes mais promissores da música portuguesa, cujo progresso tenho orgulho de acompanhar. Um agradecimento especial ao António, pela entrevista e pelo modo como desde o principio colaborou connosco e se demonstrou interessado no que pretendíamos dele, e à Daniela Carvalho, que me acompanhou nesta entrevista.

Deixo também aqui o programa “No ar” da Antena 3 e da RTP2 , com Antony Left.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Filipe Lima e Daniela Carvalho

Editado por: Rita Rogado

Um pensamento sobre “Dois Dedos de Música com Antony Left

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