Cobalto, o “ouro” de muitas multinacionais

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Muitas das grandes multinacionais conquistam terreno com meios por vezes desumanos, que são muitas vezes camuflados e passam despercebidos a todos nós, que envolvidos na rotina não olhamos para pequenos pormenores que na verdade são também importantes.

Neste caso não é propriamente um “pequeno pormenor”, trata-se de crianças que, com apenas sete anos de idade, trabalham em condições perigosas na República Dominicana do Congo, em minas de extracção de cobalto. O colbato é um elemento que, posteriormente, é utilizado em telemóveis, computadores e outros aparelhos eletrónicos vendidos em todo o mundo por empresas como Apple, Sony, Samsung ou Microsoft.

Esta é uma informação dada pela Amnistia Internacional (organização não governamental que defende os direitos humanos com mais de sete milhões de membros e apoiantes em todo o mundo), que nos deu a conhecer a realidade de homens e crianças que todos os dias põem em perigo a sua própria vida, durante 12 horas de trabalho por dia, quer chova ou faça sol, muitas vezes sem direito a uma refeição, para receber em troca apenas 90 cêntimos. Tal desespero é mais evidente nas crianças, que submetidas a violência e intimidações, não se rendem ao cansaço e não têm a felicidade genuína de uma criança, tudo porque são obrigadas a sujeitar-se a esta realidade todos os dias.

Os dias de trabalho nas minas de cobalto caraterizam-se por pesadas cargas horárias, sem fatos nem equipamentos de proteção. As crianças carregam pesadas cargas de minério em bruto no meio de calor intenso e muitas delas são intimidadas ou “castigadas” com multas quando as minas onde trabalham são inspeccionadas.

Algo não está certo. Não se trata de um ataque às marcas multinacionais que utilizam o cobalto como elemento dos produtos que vendem, até porque todos nós usufruímos destes produtos diariamente, muitas vezes já os consideramos como bens básicos que usamos quer no trabalho quer como fonte de lazer.

Já em 2012 a UNICEF estimava que havia cerca de 40 mil crianças a trabalhar nas minas do sul da República Dominicana do Congo, muitas delas de exploração de cobalto.  É fundamental que, numa altura em que os direitos humanos e a integridade do homem têm sido alvo de grande mediatização e de intervenção social, se alerte para estas questões que infelizmente parecem-nos escapar. Muitas vezes, este tipo de questões é visto por uma parte da população com um ato banal, algo necessário para o bom funcionamento da economia capitalista onde o que mais importa é não deixar a “máquina” parar e ter cada vez mais lucro. Constantemente.

Trata-se de um apelo para refletir sobre aquilo que é mais importante, o que somos capazes de fazer para ser cada vez melhor… É inerente ao ser humano, é um facto, mas até que ponto chega a ser humanamente sustentável?

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Beatriz Alves

Editado por: Adriana Pedro

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