Dois Dedos de Música com os Sintonizados

 

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Da esquerda para a direita: Carlos Salvado, Eduardo Filipe, Fábio Ramalho, Miguel Ramalho e Cláudio Duarte

Um guitarrista, um baixista, um baterista e… um acordeonista e um flautista. Assim é composta a banda dos Sintonizados, cinco jovens de Castelo Branco com idades entre os 19 e os 23 anos. O desacordo esteve à conversa com Eduardo, acordeonista, Miguel, flautista e Fábio, guitarrista e vocalista da banda, para perceber mais sobre a sua história.

O seu percurso enquanto banda remota a 2009, altura em que todos estudavam na mesma escola de música, a Orquestra Típica Albicastrense (OTA). A ideia para a banda surgiu como “uma coisa gira para fazer na audição final”, apesar de ainda não se conhecerem muito bem. “Posso dizer que não éramos amigos, éramos colegas, mas reconhecíamos o talento uns dos outros. Começámos porque queríamos fazer uma cover da música The Scientist, dos Coldplay, e aquilo correu mesmo muito bem. Como não era suficiente para a audição final, criámos um original”, recorda Eduardo, acordeonista da banda.

Das covers passaram para os originais, e fundir os sons dos vários instrumentos foi algo que fizeram sem muito esforço. “Foi tudo muito espontâneo, a diferença essencial é que em vez de termos uma guitarra a fazer solo temos um acordeão e uma flauta”, afirma Miguel.

O nome da banda surge dessa mesma espontaneidade, porque, tal como afirmou Eduardo, “parecia que, apesar de não nos conhecermos, já estávamos à partida Sintonizados na mesma onda musical. Talvez por essa piada, ficou no ouvido”. Atualmente o nome ainda é discutível entre os membros da banda, mas “só pelo facto de sermos nós e pela musicalidade em que consistimos não faz sentido mudar”, afirma Miguel.

Já a composição das músicas nem sempre se caracterizou pela espontaneidade. Miguel conta que “no início surgia mais como um improviso” ao que Eduardo acrescenta que apesar de inicialmente ser “mais fácil compor originais, estes não tinham tanta qualidade e isso era um preço. Neste momento reconhecemos que trabalhamos muito mais as músicas e por isso, também têm mais qualidade”.

Atualmente, são estudantes universitários, uns em Castelo Branco, outros em Lisboa, mas mesmo assim, não existem desculpas na hora dos ensaios, que têm sempre lugar em Castelo Branco. “É muito difícil coordenar os horários de todos, mas quando estamos juntos aproveitamos o máximo que conseguimos”, confessa Eduardo.

A parte da construção musical é trabalhada pelo Miguel e o baixista, muitas vezes via Skype. “Eu não sei como é possível, mas a verdade é que quando chego aos ensaios há coisas feitas”, diz Eduardo entre risos. Este, juntamente com Fábio, irmão de Miguel, escrevem as letras, todas elas em português. “Criar letras em português é muito engraçado, porque há uma linha muito ténue que separa o foleiro do bom. Queríamos mesmo criar conteúdo em português para Portugal, porque sentíamos que a nossa geração pontapeava a música à toa: ou é pimba ou é fado. Nós queríamos rasgar com esse dogma”, explica o acordeonista.

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Da esquerda para a direita: Miguel Ramalho, Eduardo Filipe, Fábio Ramalho, Carlos Salvado e Cláudio Duarte

 

Caracterizam-se como uns “românticos incuráveis”, mas também por fazerem alguma crítica social com as suas músicas. “Nós gostamos de intervir socialmente de forma discreta. É muito difícil transmitir uma ideia com uma sonoridade, por isso apoiamos-nos nas letras para o fazer”, afirma Eduardo. Das principais influências, os três músicos destacam Quinta do Bill e Diabo na Cruz.

Ao todo já deram mais de 100 concertos, mas o concerto de lançamento do seu álbum deixou uma marca especial. “Para mim foi o melhor momento da banda, não só por estarmos a lançar o primeiro álbum com a sala cheia, mas também por ver as pessoas que nos acompanhavam a cantar as músicas connosco. Já não eram aquele público que está lá só a ver, também estavam a participar connosco”, recorda o flautista da banda. O seu irmão Fábio acrescenta ainda que “foi o realizar de um sonho”.

Não escondem as desventuras por que já passaram e segundo Eduardo “já passaram por muita coisa”. Desde aos concertos em que faltou a luz a meio do espetáculo, até ao baterista a tocar descalço por ter aparecido num dos concertos de chinelos. Apesar de tudo, Fábio declara que “em muitos momentos, os Sintonizados foram uma prioridade na minha vida” e o seu irmão Miguel não deixou de escapar um sorriso quando disse que a banda foi “uma das paixões da sua adolescência”.

No momento da escolha da melhor música a resposta foi fácil. Eduardo destacou a “Nada Ficou”, bem como Miguel, que ainda mencionou a “Sem Nada Ter”. Fábio, por outro lado, destaca “A Gaivota”.

A escolha da redatora:

Tenho de escolher a “Nada Ficou“, não só pela letra, mas mais pela sua musicalidade. Sempre gostei da forma como a banda consegue conciliar as sonoridades de cada instrumento e creio que nesta música isso foi muito bem conseguido.

Fotos cedidas por: Sintonizados

Escrito por: Carla Nunes

Editado por: Isabel Vermelho

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