“Movimento rumo à propina zero”

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Foi publicado na passada quinta-feira, dia 23 de fevereiro, o manifesto sobre o “Movimento rumo à propina zero”. Um Movimento que junta várias Associações Académicas de todo o país e que tem como objetivo alcançar um Ensino Superior “progressivamente gratuito” e uma reforma do mesmo.

A realidade é simples: nos dias que correm, uma licenciatura tem um custo médio anual superior a mil euros. O estado económico do nosso país não permite que esse valor seja suportável a qualquer família, principalmente se pensarmos nos milhares de alunos do Ensino Superior que estudam longe de casa, cujo o valor da licenciatura é somado ao custo de um quarto arrendado ou às viagens feitas pelos estudantes. Este fator, aliado à expressão cada vez mais usada em Portugal, que diz que “hoje em dia ter uma licenciatura não chega”, afasta cada vez mais os estudantes daqueles que se dizem ser “os melhores anos das nossas vidas” [os anos de faculdade].

Se recuarmos até ao ano de 1991, descobrimos que as proprinas tinham um custo anual de apenas seis euros, equivalente a  escudos na altura. São vinte e seis anos de diferença, nos quais as propinas aumentaram gradualmente, contrariando, assim, a Constituição da República Portuguesa, onde está presente uma alínea que refere que é “obrigação do Estado Português garantir um Ensino progressivamente gratuito”.

Foi neste âmbito que surgiu este Movimento, apoiado por várias Federações e Associações Académicas e também por Associações de Estudantes, que tiveram já vários encontros. O último foi em Évora.

O congelamento da atualização das proprinas por parte da Assembleia da República em 2016 pode ser encarado como um primeiro passo para a mudança. Mas não chega. Não chega para parar o abandono escolar que o Ensino Superior teve ao longo dos últimos anos.

Não chega para evitar a emigração dos jovens portugueses. Não chega para aliviar os elevados custos anuais que as famílias portuguesas têm. E sendo assim, olhando para estes e outros fatores que têm prejudicado o nosso Ensino Superior, esperemos que este movimento seja a lufada de ar fresco que o nosso país precisa no que à nossa educação diz respeito.

Este artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Pedro Almeida

Editado por: Rita Rogado

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