Conhecer Portugal – Sortelha

Nas próximas semanas o desacordo irá dar-te a conhecer três terras beirãs. Hoje apresentamos-te Sortelha, uma aldeia pertencente ao concelho do Sabugal. Situada num monte a mais de 760 metros de altitude, Sortelha é uma aldeia granítica com ruas e vielas tipicamente medievais, fechadas por um círculo de muralhas e vigiada por um castelo do século XIII. Esta aldeia foi povoada por D. Sancho II e, atualmente, está na lista das Aldeias Históricas de Portugal.

O que visitar:

  • Casa da câmara e cadeia: situada no Largo do Pelourinho, mesmo de frente para o Castelo, a sua construção remonta ao século XVI. O edifício tem dois pisos – no inferior situava-se a cadeia e no superior a Câmara. Em 1855, com a extinção do concelho de Sortelha, o edifício foi transformado em escola primária, que foi recentemente desativada. Atualmente funciona como Junta de Freguesia.
  • Castelo e Muralhas: O Castelo está classificado como Monumento Nacional desde 1910, tendo sido construído entre o século XII e o ano de 1228, altura em que D. Sancho I repovoou o local e D. Sancho II outorgou o foral da zona, respectivamente. Posteriormente, o monumento foi renovado por D. Dinis e D. Fernando. Ao passarem por Sortelha, as tropas napoleónicas dinamitaram parte da muralha do Castelo, sendo possível constatar a sua recente reconstrução. Ainda dentro do Castelo podes visitar a Torre do facho. Esta torre aumentou consideravelmente o campo de visão da fortificação, sendo possível avistar os castelos envolventes de Belmonte, Covilhã e Monsanto. Deve o seu nome à tocha ou fogueira que aqui eram colocadas para permitir o contacto visual com essas fortificações próximas.
  • Fontes: Fonte da Azenha e Fonte de Mergulho
  • Antigo Hospital da Misericórdia: a sua construção remonta ao século XVI e alguns autores colocam a possibilidade de, em época medieval, ter funcionado como gafaria – hospital de leprosos – ou hospício de Santiago.
  • Capelas: Capela de São Sebastião e a Capela de Santiago, Capela de Santa Catarina, Capela da Senhora da Conceição, Capela de São Sebastião, Capela de São Francisco, Capela da Senhora de Fátima e Capela da Senhora do Desterro.
  • Casas Senhoriais: das várias habitações da zona destacam-se a Casa do Vento que Soa, a Casa Setecentista, a Casa dos Falcões, a Casa do Escrivão da Câmara, que atualmente pertence à família Pina Ferraz, a Casa Número Um, que deve a sua denominação a uma inscrição que apresenta numa das suas portas, a Casa das Almas, onde eram recebidas as dádivas para os necessitados, a Casa do Juíz, a Casa da Vila, a Casa do Governador, onde atualmente funciona o Posto de Turismo, a Casa Árabe e, por fim, a Casa Quinhentista.
  • Igrejas: destacam-se a Igreja da Misericórdia, que fica situada no exterior do recinto amuralhado, e tem origens medievais, tendo sido edificada no século XIV. O imóvel encontra-se em ruínas há mais de 50 anos e a atualmente não possui cobertura. Sobra ainda a armação em ferro forjado do seu primitivo campanário. Esta foi transferida para a Igreja Matriz em 1626.
  • Passos da Via Sacra: em 1742 foram edificados Passos da Via Sacra com motivos decorativos de influência barroca. O conjunto é constituído por cinco passos, semelhantes entre si, espalhados pela povoação, encontrando-se na Capela de São Sebastião, na entrada do castelo no Largo do Pelourinho, na cabeceira da Igreja Matriz e na Porta Falsa.
  • Pelourinho: do século XVI situado na Praça Pública; Pelourinho Manuelino de tabuleiro mandado construir em 1510 por D. Manuel situa-se no Largo fronteiro à Casa da Câmara e Cadeia no sopé do castelo.
  • Residência Paroquial ou passal: a antiga residência paroquial situa-se na Rua Direita e data do século XVI, sofrendo remodelações em 1756. Por cima da porta principal encontra-se uma cruz perolada e uma Cruz de Malta, pelo facto de um dos vigários ter sido Comendador da Ordem de Malta.
  • Torre Sineira ou Campanário: encontra-se implantada no topo de um penedo frente à fachada principal. É uma construção arcaica, a que se acede por uma escadaria, em que muitos degraus são talhados na rocha. Possui duas ventanas com sinos.

Onde ficar:

  • Casa da Calçada
  • Casa da Cerca
  • Casa da Lagariça
  • Casa da Villa
  • Casa do Campanário 1 e 2
  • Casa do Fundo
  • Casa do Páteo
  • Casa do Quartel
  • Casa do Viriato

Onde Comer:

  • Bar Dom Sancho, onde podes comer pratos de caça e bacalhau;
  • Restaurante Celta, que serve, entre outros pratos, caça, ensopados e Bacalhau à Celta;
  • Café Restaurante Palmeiras, conhecido pelo seu borrego estufado e o Bacalhau à Casa;
  • Restaurante Casa do Quartel, onde se serve cabrito na brasa e truta grelhada.

Opinião de Manuela Fernandes, habitante de Fóios (concelho do Sabugal) e visitante frequente da aldeia de Sortelha.

  1. O que gosta mais em Sortelha?

Gosto de toda a envolvente, da sensação quando transpomos a muralha, de um regresso aos tempos medievais. Aprecio também o silêncio das ruas, como se não se pudesse falar alto para não perturbar as almas que por ali continuam.

  1. Se pudesse mudar alguma coisa deste local, o que mudaria?

A única coisa que mudaria seria reabrir alguns espaços que tiveram que fechar e que fazem falta, como o restaurante Alboroque, por exemplo.

  1. Quando visitou Sortelha pela primeira vez? O que a fez regressar?

Sou natural de uma aldeia do mesmo concelho pelo que ir a Sortelha é mais ou menos comum, com amigos. Mas a primeira vez que lá fui foi na minha lua-de-mel. Acrescento que casámos em dezembro e que no inverno aquela aldeia tem ainda mais encanto. O que me faz regressar constantemente é a necessidade de voltar a sentir um espaço com aquela força, aquele magnetismo. Posso passar vários anos sem lá ir, mas um dia sinto uma vontade urgente de voltar, tal como em Monsanto, onde também sinto o mesmo. São lugares muito envolventes.

  1. Indicaria Sortelha como local a visitar? Porquê?

Indico sempre! Uma das tarefas do meu trabalho é precisamente prestar informação aos turistas e um dos lugares que sempre sugiro é Sortelha. Vir até à região e não ir a Sortelha é sem dúvida a perda da oportunidade de sentir uma experiência única. E se possível não se fiquem pela visita. Jantem no único restaurante que existe dentro da muralha, o D. Sancho, o prazer é redobrado. Existe outro restaurante fora da muralha O Celta, que serve um bacalhau delicioso, mas fora da muralha perde aquela sensação de reencontro com o passado. Acho que todos esses lugares acabam por ter um efeito qualquer sobre nós.

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Escrito por: Carla Nunes

Editado por: Adriana Pedro

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