Dois Dedos de Música com First Breath After Coma

16808481_1247132728675427_825562384_nJoão Marques, Roberto Caetano, Rui Gaspar, Pedro Marques e Telmo Soares são os nomes que compõem os First Breath After Coma (FBAC), banda Leiriense que se está a dar a conhecer na música nacional e internacional. Têm idades compreendidas entre os 23 e os 28 anos e formaram a banda há cinco anos: surgiram de uma “construção de identidade que já andavam à procura em projetos anteriores”. Descrevem-se como “sonhadores”.

Começaram a sua carreira como First Breath After Coma na terra que os viu nascer, sendo lá o seu primeiro concerto, no castelo de Leiria, no festival “ZUS!”. Até então, já atuaram em diversos palcos nacionais, como CCB e Casa da Música, tendo atuado também no conhecido festival Paredes de Coura, para além de terem um concerto já agendado para o festival NOS Primavera Sound. Já pisaram também palcos no estrangeiro, em cidades como Madrid, Paris, Amsterdão, Berlim e Londres e estiveram presentes nos festivais Reeperbahn e Eurosonic.

Quando questionados sobre a origem do nome da banda, recordam que anteriormente eram os Kafka Dog, “um misto de originais e covers”. No entanto, perceberam que aquele “não era bem o caminho a seguir”, o que fez com que “arrumassem tudo na gaveta e remassem por outros mares”. Desse modo, trancaram-se horas na sala de ensaio, à “procura e exploração de novas sonoridades”.

“Fechados em nós próprios, sentimo-nos num coma induzido, uma viagem interior em busca da nossa identidade. Após toda essa escuridão, veio um novo respirar, um novo começo para nós, onde First Breath After Coma, mais do que um tema dos Explosions In The Sky, foi a expressão que marcava todo este processo”, disse ao desacordo um elemento da banda.

Gostam de “encarar os problemas com uma “perspetiva esperançosa”, de uma forma “muito naturalista”, contribuindo isso para a inspiração das suas músicas. Confessam adorar a natureza e, de um modo especial, o mar.

O primeiro álbum é chamado The Misadventures of Anthony Knivet e, nesse sentido, o desacordo questionou a razão deste nome. “Anthony Knivet é um corsário pirata inglês, que é deixado no Brasil por estar doente com escorbuto e mais tarde é feito escravo pelos portugueses. Enquanto escravo, foi obrigado a ir ao fundo do mar com um escafandro e quase morreu. Viajou pelo Brasil e África, acabando por regressar a Inglaterra mais tarde para escrever um livro sobre as suas aventuras e desventuras pelo mundo. O nosso primeiro álbum foi um disco conceptual, baseado no lado mais sombrio da viagem do Knivet, mas com uma vontade enorme de descobrir o que o mundo nos pode oferecer. De certo modo, queremos contar as nossas próprias aventuras e desventuras pelo mundo fora. The Misadventures of Anthony Knivet foi só o começo”, contaram-nos.

O segundo álbum da banda, Drifter, foi patrocinado por fãs através de um crowdfunding. Em relação a essa experiência, FBAC contam-nos que sentiram uma “responsabilidade maior que o normal”, uma vez que já é uma responsabilidade enorme criar um segundo álbum devido a haver uma “perfeita noção de que há um público do outro lado que já nos conhece e que espera que o surpreendam”.

Por esse motivo, dizem que foi um dos desafios mais difíceis de ultrapassar: “andámos cerca de 6 meses em improvisos, experimentações e gravações de sons na rua. Depois disso foi um ano desde o processo de composição até à masterização do disco. Na altura da composição, foram cerca de 4/5 meses fechados na casota (sala de ensaios), todos os dias de manhã à noite a trabalhar nas músicas, até marmita com o almoço nós levávamos para lá. Para piorar o cenário, apanhou o verão e houve dias em que estavam 40 graus naquela sala, e nós ali fechados com 2 ventoinhas enquanto os amigos iam para a praia e para os festivais. Foi um processo muito intensivo e ao contrário do primeiro álbum, quisemos estar dentro de todas as etapas desde a gravação à mistura, da capa do disco aos vídeos. Pusemos à prova a nossa sanidade mental e tivemos os nossos momentos de loucura, mas acabou por compensar porque foi uma aprendizagem enorme de um processo tentativa/erro”, contaram ao desacordo.

Trabalharam neste álbum com Noiserv e André Barros, que gabam por serem, tal como eles, apaixonados por música, o que permitiu que o resultado final “soasse sólido e consistente”.

A banda não sente dificuldades em atuar fora de Portugal, pois sentem que “acima de tudo, quem está ali são pessoas que adoram música e não têm problema algum em manifestar isso. E isso é o que importa”.

Por outro lado, contaram-nos que nunca ouvem as próprias músicas no dia-a-dia. “Durante o processo de criação temos de ouvi-las tantas vezes, na sala de ensaios, no carro, no telemóvel, no estúdio, na cama, na casa de banho, que depois de estarem concluídas e gravadas no disco é impossível termos vontade de as ouvir”.

Têm várias histórias e aventuras para contar, mas escolheram contar-nos esta: ”durante o nosso concerto no Eurosonic, estava uma sexagenária holandesa na primeira fila que, a dada altura, começou a chorar. Ficámos um bocado assustados, mas reparámos que o fazia com um sorriso na cara.  No final veio ter connosco e abraçou-nos. Disse-nos que toda a emoção e paixão que estávamos a sentir em cima do palco passou para fora. Agradeceu-nos por ter sentido isso. Podia ter sido a única pessoa naquela sala a ser tocada daquela forma e já tinha valido a pena”.

A música que mais gostam é a Tierra del Fuego: La Mar e Nisshin Maru, devido à história pesada, mas bonita, que conta, em poucas palavras.

A escolha da redatora:

A minha escolha é Umbrae. A música transmite uma emoção tão forte, quer seja através da letra, quer através do instrumental. Para além disso, é feita com Noiserv, outro grande artista português, o que ajuda ainda mais a realçar a qualidade da música portuguesa.

Escrito por: Daniela Carvalho

Editado por: Rita Rogado

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