O fim das touradas: sim ou não?

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Divertimentos bárbaros, impróprios de nações civilizadas, que servem unicamente para habituar os homens ao crime e à ferocidade.
Esta é a frase que aparece em destaque quando abrimos o site do Movimento pela Abolição da Tauromaquia Portuguesa (MATP), citada por Passos Manuel, ministro do reinado de D. Maria II, ainda no tempo da Monarquia Portuguesa. Mas será que é uma frase que se encaixa totalmente naquilo que é a tauromaquia? Talvez sim, talvez não.

Esta prática tradicional é realizada um pouco por todo o mundo, mas é em Portugal e Espanha que pensamos em primeiro lugar quando é abordada esta questão. Com tendência a tornar-se um tema cada vez mais polémico, a tauromaquia já conheceu melhores dias.

Recentemente, um estudo da Inspeção Geral das Atividades Culturais, revelou que tanto o número de espetadores, como o número de espetáculos, atingiram mínimos históricos no nosso país. Os números têm caído ao longo dos últimos anos e os portugueses parecem desinteressar-se cada vez mais por ver um homem montado num cavalo de farpa na mão pronto para espetá-la no touro na melhor oportunidade ou por ver oito forcados a pegar o touro para delírio do público.

Não me interpretem mal: nunca assisti a um espetáculo deste género ao vivo. Quem o faz regularmente certamente verá uma espécie de “magia” nesta prática que eu não consigo ver. Mas em pleno século XXI, será que ainda faz sentido encher uma arena, transmitir esse espetáculo na televisão para assistirmos a um ato que faz sofrer um animal? Fará sentido as pessoas aplaudirem cada farpa que é espetada na carne de um animal? Se calhar muitas das pessoas que aplaudem este ato ficam revoltadíssimas quando veem um ato cruel contra um cão ou um gato ou mesmo quando o touro atinge o cavalo que está a carregar o cavaleiro durante o espetáculo. Aliás, em quantos espetáculos de tauromaquia não têm saído cavalos maltratados por fazerem parte dos mesmos?

Vivemos numa sociedade que cada vez mais olha pelos animais. Pelo bem-estar dos mesmos. Uma sociedade, onde o Parlamento Europeu votou contra a existência de subsídios para esta prática. Vivemos num país onde agora, por promulgação do nosso Presidente da República, os animais serão tratados como crianças aos olhos da lei. Sim, a lei pode basear-se em animais domésticos, principalmente.

Posto isto, será que as touradas continuam a fazer sentido? Provavelmente não. Para quem defende a tauromaquia com unhas e dentes, talvez continue a fazer sentido. Mas tal como já mencionei, talvez estes vejam a tal “magia” que eu não vejo.

O presente artigo de opinião é da pura responsabilidade do autor, não representando as posições do desacordo ou dos seus afiliados.

Escrito por: Pedro Almeida
Editado por: Rita Rogado

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